O que governa este item é o princípio fundamental da contagem: quando uma escolha se decompõe em decisões independentes umas das outras, o número total de resultados é o produto do número de hipóteses de cada decisão. Tudo o que tens a fazer é partir o problema em decisões que não se estorvem, e contar cada uma.
A regra prática, que vale sempre neste tipo de item: trata primeiro as pessoas com restrições e só depois as livres. Se começares pelos alunos sem condição nenhuma, ficas sem saber quantas cadeiras sobram para os condicionados.
numerar a fila e traduzir as palavras em cadeiras
A fila tem 9 cadeiras. Numera-as de 1 a 9 .
- «as três cadeiras centrais» — numa fila ímpar de 9 , a cadeira do meio é a 5 ; as três centrais são, portanto, a 4 , a 5 e a 6 . Repara que é um conjunto de cadeiras fixo: o enunciado não diz «três cadeiras seguidas», diz «as três cadeiras centrais». Não há nada para escolher aqui.
- «numa das extremidades da fila» — as extremidades são a cadeira 1 e a cadeira 9 . São duas.
1.º — sentar a Vânia — a decisão mais apertada
A Vânia só pode ficar na cadeira 1 ou na cadeira 9 :
2 maneirasNota que estas duas cadeiras não pertencem ao bloco central {4,5,6} , logo esta decisão não rouba lugar à Susana, ao Tomás e ao Xavier. É por isso que as decisões são independentes e se podem multiplicar.
2.º — sentar a Susana, o Tomás e o Xavier nas três cadeiras centrais
São três pessoas para três cadeiras já identificadas. Contar as maneiras de ordenar três objectos por três lugares é contar permutações:
3A3=P3=3!=3×2×1=6Não te esqueças deste factor. O enunciado diz que ficam «juntos nas três cadeiras centrais», não diz por que ordem — e trocar a Susana com o Tomás dá uma disposição diferente dos nove alunos.
3.º — sentar os restantes cinco alunos
Já colocámos 4 alunos (a Vânia e o trio) e ocupámos 4 cadeiras. Sobram 9−4=5 alunos e 5 cadeiras, sem restrição nenhuma:
5A5=P5=5!=1204.º — multiplicar as três decisões
2×3!×5!=2×6×120=1440A opção correcta é a (C).
chegar ao mesmo número por outro caminho
Conta o total de disposições sem restrição nenhuma: 9!=362880 .
Agora impõe as condições como fracções:
- a probabilidade de a Susana, o Tomás e o Xavier ficarem, os três, nas cadeiras 4 , 5 e 6 é 9!3!×6!=3628804320=841 ;
- dado isso, restam 6 cadeiras para a Vânia, das quais 2 são extremidades: 62=31 .
362880×841×31=4320×31=1440Bate. Vale a pena guardar este controlo: quando um problema de contagem tem restrições de posição, contar o total e multiplicar pelas fracções correspondentes dá o mesmo resultado e apanha factores esquecidos.
de onde vem cada opção errada
- (A) 240 — é 2×5!=2×120 . Sai de sentar a Vânia (2) e os cinco alunos livres (5!) e esquecer que o trio se pode ordenar de 3! maneiras nas cadeiras centrais. É o erro de tratar «juntos nas três cadeiras centrais» como se a posição de cada um lá dentro estivesse fixada. Repara que 240=61440 : falta exactamente o factor 3! .
- (B) 720 — é 3!×5!=6×120 . Aqui o trio foi bem contado, mas esqueceu-se o factor 2 da Vânia: conta-se como se a extremidade estivesse escolhida à partida (só a cadeira 1 , por exemplo). 720=21440 .
- (C) 1440 — a correcta.
- (D) 4320 — é 3!×6!=6×720 , ou seja, o número de disposições em que só se exige que o trio ocupe as três cadeiras centrais, deixando os outros seis alunos (a Vânia incluída) à solta pelas seis cadeiras restantes. É a contagem certa de um problema sem a condição da Vânia. 4320=1440×3 , e o 3 é precisamente 26 : as seis cadeiras livres a menos as duas permitidas.
o que faz falhar este item
- Não permutar o trio. «Juntos» não quer dizer «por esta ordem». Custa o factor 3! e leva à (A).
- Não contar as duas extremidades. «Numa das extremidades» são duas hipóteses, não uma. Leva à (B).
- Ignorar de todo a condição da Vânia. Leva à (D).
- Somar em vez de multiplicar. Decisões que se fazem todas multiplicam-se; só se somam contagens de casos mutuamente exclusivos.
- Contar as cadeiras centrais como uma escolha. Numa fila de 9 , «as três centrais» são um conjunto determinado — não há 7A1 posições para um bloco, porque o bloco não desliza.
- Descontar duas vezes o mesmo aluno. Depois de sentar a Vânia e o trio sobram 5 alunos, não 6 .
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Em contagem com restrições de posição, escreve sempre a conta como um produto de decisões, por esta ordem: (1) quem tem menos liberdade; (2) quem tem alguma; (3) quem não tem nenhuma. Antes de multiplicar, confirma que nenhuma decisão altera o número de hipóteses das seguintes — se alterar, tens de partir o problema em casos e somá-los. E no fim faz o teste do factor em falta: divide a tua resposta pelas opções e vê se dá 2 , 3 ou 6 ; se der, esqueceste um factor.