Exame de Matemática A 2026 · Época especial — item 8, resolvido
Cotação 14 pontosResposta abertaVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 635 · 2026 · Época especial
8.
Na Figura 2, está representada uma circunferência de centro O e raio 4 .
Figura 2
Os pontos A e B pertencem à circunferência.
O arco de circunferência AB tem comprimento 38π .
Determine o valor do produto escalar AO⋅AB .
Resposta de exame
O que se escreve na prova para ter a cotação toda.
O perímetro da circunferência é 2π×4=8π .
Como o arco AB tem comprimento 38π , que é 31 do perímetro, a amplitude do ângulo ao centro correspondente é 31 do ângulo giro, ou seja,
AO^B=32π
Como OA=OB=4 , o triângulo [OAB] é isósceles, pelo que BA^O=OB^A .
Da soma dos ângulos internos do triângulo vem
32π+2×BA^O=π⇔2×BA^O=3π⇔BA^O=6π
Seja M o ponto médio de [AB] . O triângulo [OAM] é retângulo em M , pelo que
cos(BA^O)=OAAM⇔AM=4cos6π=4×23=23
Logo, AB=2×AM=43 .
Como o ângulo formado pelos vetores AO e AB é o ângulo BA^O , de amplitude 6π , e AO=4 , tem-se
AO⋅AB=AO×AB×cos(BA^O)=4×43×23=24
Portanto, AO⋅AB=24 .
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O que governa este item é a definição de produto escalar por módulos e ângulo:
u⋅v=∥u∥×∥v∥×cos(u∧v)
Não há coordenadas na figura, logo é esta a via. Escreve a fórmula primeiro e vê o que te falta: AO (que é o raio, 4 , e já tens), AB (o comprimento da corda) e o ângulo entre os dois vectores.
⚠️ O ângulo entre dois vectores mede-se com os dois a partirem do mesmo ponto.AO e AB partem ambos de A , portanto o ângulo é o ângulo interno do triângulo [OAB] no vértice A , isto é, BA^O . Se um dos vectores estivesse escrito ao contrário — OA em vez de AO — o ângulo seria o suplementar e o sinal do resultado mudava.
1.º — do comprimento do arco para o ângulo ao centro
Um arco de circunferência é uma fracção do perímetro, e essa fracção é a mesma que o ângulo ao centro é do ângulo giro. O perímetro vale
2πr=2π×4=8π
e o arco vale 38π , ou seja, exactamente 31 do perímetro. Logo:
AO^B=31×2π=32π
Em alternativa, directamente pela fórmula do comprimento de arco em radianos, ℓ=rθ :
38π=4θ⇔θ=32π
Trabalha sempre em radianos aqui — é a única unidade em que ℓ=rθ funciona sem factores de conversão.
2.º — usar o triângulo isósceles para obter o ângulo em A
[OA] e [OB] são raios da mesma circunferência, portanto
OA=OB=4
e o triângulo [OAB] é isósceles. Num triângulo isósceles, os ângulos opostos aos lados iguais são iguais:
BA^O=OB^A
Esta igualdade é uma etapa pontuada por si (2 pontos) — escreve-a, não a deixes implícita. Com a soma dos ângulos internos:
Já tens o ângulo da fórmula do produto escalar. Falta o comprimento da corda.
3.º — o comprimento da corda, pela altura do triângulo isósceles
Seja M o ponto médio de [AB] . Num triângulo isósceles, a mediana relativa à base é também altura, logo o triângulo [OAM] é rectângulo em M . É isso que permite usar trigonometria do triângulo rectângulo:
Há um segundo processo, aceite pelo critério, que evita calcular AB . Usa a relação de Chasles para partir AB em dois vectores cujos módulos já conheces:
AB=AO+OB
Pela distributividade do produto escalar em relação à adição de vectores:
AO⋅AB=AO⋅AO+AO⋅OB
A primeira parcela é o quadrado do módulo, porque o ângulo de um vector consigo próprio é nulo:
AO⋅AO=AO2=42=16
Na segunda, AO e OB não partem do mesmo ponto — por isso troca-se o sentido de um deles, o que muda o sinal do produto:
AO⋅OB=(−OA)⋅OB=−OA⋅OB
Agora OA e OB partem ambos de O , e o ângulo entre eles é AO^B=32π :
AO⋅OB=−4×4×cos32π=−16×(−21)=8
Somando:
AO⋅AB=16+8=24
Mesmo resultado, sem uma única raiz quadrada. Fixa o par de ideias que o torna possível: decompor um vector numa soma cujas parcelas têm módulo e ângulo conhecidos, e trocar o sentido de um vector trocando o sinal do produto escalar.
o sinal e a ordem de grandeza batem certo?
O resultado é positivo, e tem de ser: o ângulo entre AO e AB é 6π , que é agudo, e o cosseno de um ângulo agudo é positivo. Se tivesses obtido um valor negativo, terias usado o ângulo errado (provavelmente o 32π do centro, ou o suplementar de 6π).
Quanto à grandeza: o máximo possível seria AO×AB=4×43≈27,7 (se os vectores fossem colineares e do mesmo sentido). Obtivemos 24 , que é ≈87% desse máximo — coerente com cos6π≈0,87 .
o que faz falhar este item
Usar o ângulo ao centro 32π como ângulo entre os vectores. Daria 4×43×(−21)=−83 . O ângulo é o do vértice A , porque é de A que os dois vectores partem.
Confundir AO com OA . São simétricos; trocá-los inverte o sinal do resultado.
Parar em AM=23 e usar esse valor como AB . Dá 12 .
Converter o arco em graus a meio do caminho e depois usar ℓ=rθ , que só vale em radianos.
Esquecer que [OA] e [OB] são raios e não reconhecer o triângulo isósceles — sem isso não há forma de chegar ao ângulo em A .
Não escrever BA^O=OB^A . São 2 pontos de uma etapa própria no critério.
Trocar cos6π=23 por 21 , que é cos3π . Daria 83 .
Simplificar mal a raiz no fim:3×3=3 , e não 9=3 por engano com 3+3 .
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Num item de produto escalar sem coordenadas, escreve logo u⋅v=∥u∥∥v∥cosθ e faz uma lista das três quantidades em falta — isso transforma o problema de vectores num problema de geometria do triângulo. Antes de escolher θ , desenha os dois vectores a partir da mesma origem; é o erro que mais custa. E guarda a via alternativa: quando um dos vectores se decompõe numa soma de raios ou de lados conhecidos, a distributividade resolve o item sem trigonometria nenhuma.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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