Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
1.º — o ponto de partida: traduzir «paralela ao eixo Ox»
Uma reta paralela ao eixo Ox é horizontal, e uma reta horizontal tem declive zero. Como t é tangente ao gráfico de f no ponto de abcissa −2+lna , o declive de t é f′(−2+lna) .
Toda a condição do enunciado se resume, então, a uma equação:
f′(−2+lna)=0
O critério paga 1 ponto por dizer que o declive é zero e mais 2 por escrever esta equação — 3 pontos ganhos antes de derivar seja o que for.
localizar o ponto de tangência: qual o ramo?
A função tem dois ramos e derivadas diferentes em cada um. Tens de garantir em qual estás. Como a>1 , tem-se lna>ln1=0 , logo
−2+lna>−2
O ponto de tangência está estritamente à direita de −2 , portanto no segundo ramo, f(x)=2ex+2+3e−x−2 . É uma etapa pontuada (1 ponto) e uma linha a escrever — não é detalhe: no primeiro ramo a derivada seria outra e o resultado sairia errado.
2.º — derivar o segundo ramo, termo a termo
Usa (eu)′=u′eu em cada parcela.
Na primeira, u=x+2 e u′=1 , logo (2ex+2)′=2ex+2 .
Na segunda, u=−x−2 e u′=−1 , logo (3e−x−2)′=3×(−1)×e−x−2=−3e−x−2 .
f′(x)=2ex+2−3e−x−2
O sinal menos da segunda parcela é o coração deste item (3 pontos nesta etapa). Se te esquecesses dele, ficarias com 2ex+2+3e−x−2 , que é sempre positivo e nunca se anula — não haveria tangente horizontal nenhuma e o item deixaria de ter resposta. Se chegares a uma equação impossível, volta a este sinal.
3.º — calcular a derivada no ponto, com elna=a
Substitui x=−2+lna e simplifica os expoentes antes de qualquer outra coisa:
primeiro expoente: (−2+lna)+2=lna ;
segundo expoente: −(−2+lna)−2=2−lna−2=−lna .
f′(−2+lna)=2elna−3e−lna
Agora usa as duas propriedades que fazem o item colapsar: elna=a (válido porque a>1>0) e e−lna=elna1=a1 .
f′(−2+lna)=2a−a3
Repara no que aconteceu: a escolha de −2+lna como abcissa não foi inocente — foi feita de propósito para que as exponenciais desaparecessem e sobrasse uma equação algébrica em a . Vale 2 pontos.
4.º — resolver a equação em a
2a−a3=0
Como a>1 , em particular a=0 , e podes multiplicar por a sem perder soluções:
2a2−3=0⇔a2=23⇔a=−23∨a=23
Racionalizando: 23=23=23×2=26 .
a=−26∨a=26
Escreve as duas raízes (3 pontos): a2=k com k>0 tem sempre duas soluções simétricas, e quem escreve só a positiva perde a etapa.
5.º — rejeitar a raiz que o enunciado não admite
O enunciado impõe a∈]1,+∞[ . A raiz negativa −26 está fora — e nem sequer faria sentido, porque lna exigiria a>0 .
Falta confirmar que a raiz positiva serve mesmo: 26>1⇔6>2⇔6>4 , que é verdade. Logo 26∈]1,+∞[ .
a=26
pelo 2.º Processo do critério: zeros de f′ e só depois a
O critério admite, com a mesma cotação, resolver primeiro f′(x)=0 em ordem a x e só no fim identificar a .
Mesmo valor. Este caminho tem uma vantagem: a raiz negativa nem chega a aparecer, porque o logaritmo já garante a>0 .
como se escreve a resposta
O resultado é exacto e racionalizado: a=26 . As formas 23 e 23 também são aceites («ou equivalente»), mas a forma com denominador racional é a que se apresenta. Nada de 1,22 — o item é sem calculadora.
um teste rápido
Com a=26 , tem-se a2=46=23 , logo 2a−a3=a2a2−3=a3−3=0✓ . E como 26≈22,4=1,2>1 , a condição do enunciado fica verificada.
onde se perdem pontos neste item
Não justificar que −2+lna>−2 e, com isso, não deixar claro que se usa o segundo ramo: 1 ponto perdido e a derivada fica sem fundamento.
Perder o sinal menos em (3e−x−2)′=−3e−x−2 , esquecendo a derivada do expoente. É o erro que torna o item impossível.
Escrever e−lna=−a em vez de a1 .
Apresentar só a raiz positiva de a2=23 : o critério pede as duas antes da rejeição.
Não rejeitar explicitamente −26 invocando a∈]1,+∞[ : é a etapa final, 1 ponto.
Deixar 23 por racionalizar — é aceite, mas a forma apresentada deve ser 26 .
Confundir «paralela ao eixo Ox» com «paralela ao eixo Oy»: esta última teria declive indefinido e a tangente a um gráfico de função nunca é vertical.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
«Tangente paralela ao eixo Ox» é sempre, sem excepção, f′(x0)=0 . E quando o enunciado te dá uma abcissa com ar estranho — −2+lna , ln(3k) , 2π+θ — essa abcissa foi escolhida para simplificar a expressão da derivada : substitui e simplifica os expoentes antes de fazer contas, e vê a expressão colapsar.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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