Como x é um número real negativo, conclui-se que x=−17.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
Este item junta três coisas que se avaliam quase sempre em conjunto nos complexos: traduzir «raiz cúbica» numa potência, usar a forma trigonométrica para elevar a uma potência e impor uma condição sobre o módulo. Nenhuma delas é difícil sozinha; o que se perde é nas passagens entre elas.
E há uma restrição a levar a sério: o enunciado proíbe a calculadora. Isso significa que o argumento de w tens de o reconhecer do círculo trigonométrico, e que o resultado final fica em valor exacto.
1.º — traduzir «w é uma das raízes cúbicas de z»
Dizer que w é uma raiz cúbica de z é dizer, por definição, que
w3=z
Repara na ordem: é w que se eleva ao cubo, não z. A palavra «uma das» está lá porque um complexo não nulo tem exactamente três raízes cúbicas — mas as três, elevadas ao cubo, dão o mesmo z. Por isso saber que w é uma delas chega para determinar z sem ambiguidade nenhuma.
Esta etapa está pontuada por si (2 pontos). Escreve a igualdade z=w3 explicitamente na folha.
2.º — passar w à forma trigonométrica (e porquê)
Podias tentar (−3+i)3 na forma algébrica, com o binómio — dá, mas é longo e cheio de sinais a trocar. Na forma trigonométrica, elevar a uma potência resume-se a elevar o módulo e multiplicar o argumento, que é a fórmula de De Moivre. É por isso que se muda de forma.
Módulo:
∣w∣=(−3)2+12=3+1=4=2
Argumento θ: de w=2(cosθ+isenθ) retiras
cosθ=2−3senθ=21
O afixo de w tem parte real negativa e parte imaginária positiva, logo está no segundo quadrante. O ângulo do segundo quadrante com aquele cosseno e aquele seno é θ=65π (é o simétrico, em relação ao eixo Oy, do ângulo 6π, o de referência para cos=23 e sen=21).
w=2ei65π
Esta etapa vale 2 pontos. Sem calculadora, é aqui que o círculo trigonométrico tem de estar na cabeça.
3.º — elevar ao cubo
z=w3=(2ei65π)3=23ei×3×65π=8ei615π=8ei25π
Vale 1 ponto. Agora reduz o argumento a [0,2π[, subtraindo uma volta completa:
Passar à forma algébrica z=8i vale outro ponto — e não é decorativo: o resto do item é uma conta de módulo, e essa faz-se na forma algébrica.
4.º — reduzir a potência i23
As potências de i repetem-se de quatro em quatro: i1=i, i2=−1, i3=−i, i4=1. Por isso só interessa o resto da divisão do expoente por 4:
23=4×5+3⇒i23=i4×5×i3=15×i3=−i
Vale 1 ponto.
5.º — escrever o complexo na forma algébrica
Substituindo, e lembrando que x é real (portanto entra na parte real):
i23z−x=−i8i−x=−i−x+8i
Para tirar o i do denominador, usa −i1=i. Confirma-o: −i1=−i1×ii=−i2i=−(−1)i=i. Então
−i−x+8i=(−x+8i)i
Esta passagem vale 2 pontos. E o desenvolvimento,
(−x+8i)i=−xi+8i2=−xi−8=−8−xi
vale mais 1 ponto. Parte real −8, parte imaginária −x.
6.º — impor que o módulo é 9
∣−8−xi∣=(−8)2+(−x)2=64+x264+x2=9
Escrever esta equação vale 2 pontos. Resolve-a — os dois membros são não negativos, por isso podes elevar ao quadrado sem perder nem ganhar soluções:
64+x2=81⇔x2=17⇔x=−17∨x=17
O enunciado pede o número real negativo, logo
x=−17
Vale os últimos 2 pontos — e a frase de escolha entre as duas raízes tem de estar escrita.
pelo módulo do quociente, sem passar à forma algébrica
Este é o segundo processo que os critérios aceitam, e é mais curto. Depois de teres z=8i, usa a propriedade o módulo de um quociente é o quociente dos módulos:
i23z−x=∣i23∣∣z−x∣
Como ∣i∣=1, tem-se i23=∣i∣23=123=1 — dividir por i23 não altera o módulo nenhum. Logo a condição fica
∣z−x∣=9⇔∣−x+8i∣=9⇔x2+64=9
e chegas à mesma equação, com a mesma solução x=−17. Neste processo as etapas pontuadas são «reconhecer que o módulo do quociente é o quociente dos módulos» (2 pontos) e «reconhecer que i23=1» (2 pontos), em vez das três da forma algébrica.
valor exacto, não aproximação
O enunciado da prova avisa que, quando não é pedida aproximação, se apresenta sempre o valor exacto. A resposta é −17, e não −4,12 nem −4,123. Além disso, 17 já está na forma mais simples: 17 é primo, não há quadrado nenhum a sair de dentro da raiz.
confere o resultado
Com x=−17:
z−x=8i−(−17)=17+8i⇒∣z−x∣=17+64=81=9
e, como dividir por i23 não muda o módulo, o módulo pedido é mesmo 9. Nota ainda que −17≈−4,1, que é de facto negativo — a condição do enunciado está respeitada.
onde é que este item se perde
Trocar a direcção da raiz cúbica. «w é raiz cúbica de z» é w3=z. Quem escreve z3=w perde a etapa de 2 pontos e todas as que vêm a seguir.
Errar o quadrante do argumento de w. Com cosθ<0 e senθ>0 o argumento é 65π; escrever −6π ou 6π (esquecendo o sinal do −3) dá um z errado e parte o item ao meio.
Esquecer que (−3)2=3 e escrever ∣w∣=3+1 mal, ou ∣w∣=−3+1.
Não reduzir 25π. Fica correcto, mas depois é preciso reconhecer que cos25π=0 e sen25π=1; é mais seguro tirar a volta completa primeiro.
i23 mal reduzido. O resto de 23 por 4 é 3, logo i23=−i. Dar i (resto 1) ou −1 (resto 2) troca o sinal de tudo o que vem a seguir.
−i1=i, e não −i. É o erro de sinal mais frequente do item.
Somar x à parte imaginária.x é real: z−x=−x+8i, a subtracção faz-se na parte real.
Ficar-se pelas duas soluções ±17. O item pede o negativo; sem a frase que escolhe −17 perdes a última etapa.
Usar a calculadora. É explicitamente proibido neste item.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Guarda três reflexos: potência de complexo ⇒ forma trigonométrica; expoente de i⇒ resto da divisão por 4; e condição sobre um módulo ⇒ ou passas tudo à forma algébrica, ou usas ba=∣b∣∣a∣ e poupas metade do trabalho. Quando o denominador é uma potência de i, o segundo caminho é quase sempre o mais rápido, porque o módulo dele é 1.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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