Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O que governa este item não é uma conta, é uma estratégia de eliminação: o enunciado dá-te uma só equação, mas nela aparecem duas quantidades desconhecidas — P(A) e P(A∩B) . O item só é possível porque, ao desdobrar as duas parcelas, o P(A) desaparece sozinho. Percebe isso e o resto é álgebra.
A caixa de ferramentas é pequena e é sempre a mesma:
leis de De Morgan: A∪B=A∩B e A∩B=A∪B ;
acontecimento contrário: P(X)=1−P(X) ;
probabilidade da união: P(X∪Y)=P(X)+P(Y)−P(X∩Y) ;
partição de um acontecimento: P(X∩Y)=P(X)−P(X∩Y) .
1.º — tratar a primeira parcela — De Morgan e contrário
A primeira parcela é uma união de dois contrários. É o lado esquerdo de uma lei de De Morgan, e o lado direito é o contrário de uma intersecção — que é exactamente a quantidade que o item pede:
P(A∪B)=P(A∩B)=1−P(A∩B)
Não é um truque nem um atalho: é a única maneira de fazer aparecer P(A∩B) a partir de uma união. São duas etapas pontuadas (2+2 pontos), por isso escreve as duas igualdades separadamente.
Chama x=P(A∩B) , se te ajudar a não te perderes. A primeira parcela é 1−x .
2.º — tratar a segunda parcela — união, com o obstáculo do P(A)
A segunda parcela mistura A com B , e aqui não há De Morgan a aplicar. Usa a fórmula da união:
P(A∪B)=P(A)+P(B)−P(A∩B)
Entrou um P(A) que não conheces. Não te assustes — é ele que se vai anular. Repara: A∩B é a parte de A que fica fora de B , e obtém-se tirando a A a fatia que está em B :
E o contrário de B sai do único valor numérico que te deram:
P(B)=1−P(B)=1−0,7=0,3
Substituindo as duas coisas:
P(A∪B)=P(A)+0,3−(P(A)−x)=P(A)+0,3−P(A)+x=0,3+x
O P(A) cancelou-se. É este o momento que o item mede: perceber que não precisas de P(A) , e por isso não há nada em falta no enunciado. Atenção ao parêntesis na subtracção — sem ele obterias 0,3−x e a equação final daria outro valor.
3.º — montar e resolver a equação
Agora as duas parcelas estão escritas só à custa de x :
O enunciado pede o resultado na forma de dízima: escreve-se 0,3 e não 103 nem 30% . Esta última etapa vale 4 pontos — é a mais cara do item.
tudo por De Morgan, sem a fórmula da união
O critério dá um segundo processo que evita a fórmula da união e trabalha só com contrários. Aplica De Morgan às duas parcelas:
P(A∪B)=P(A∩B)=1−P(A∩B)P(A∪B)=P(A∩B)=1−P(A∩B)
— na segunda usou-se A∪B=A∩B , que é a mesma lei lida ao contrário.
Falta ligar P(A∩B) ao que se pede. É a fatia de B que fica fora de A :
P(A∩B)=P(B)−P(A∩B)=0,7−x
Logo a diferença fica
(1−x)−(1−(0,7−x))=(1−x)−(0,3+x)=0,7−2x
e recai-se na mesma equação: 0,7−2x=0,1⇔x=0,3 . Este caminho é mais curto e usa uma propriedade a menos; escolhe o que dominares melhor, porque valem os mesmos 14 pontos.
existe mesmo um caso assim?
Um resultado de probabilidade tem de ser possível. Com P(A∩B)=0,3 e P(B)=0,7 , basta encontrar um A compatível: toma, por exemplo, P(A)=0,5 . Então P(A∩B)=0,5−0,3=0,2⩾0 e P(A∩B)=0,7−0,3=0,4⩾0 ; tudo não negativo e a soma das quatro regiões dá 1 . Confirma na equação: P(A∪B)=1−0,3=0,7 e P(A∪B)=0,5+0,3−0,2=0,6 ; a diferença é 0,7−0,6=0,1 . Bate.
Repara ainda que o valor de P(A) que escolhemos não alterou nada — como tinha de ser.
o que faz falhar este item
Distribuir a probabilidade pela união, escrevendo P(A∪B)=P(A)+P(B) . Só é verdade em acontecimentos incompatíveis, e nada no enunciado o garante.
Errar a lei de De Morgan, trocando A∪B=A∩B por A∪B . A regra é: ao passar a barra para fora, o ∪ vira ∩ e vice-versa.
Bloquear no P(A) desconhecido e concluir que falta um dado. Desdobra até ao fim; ele anula-se.
Esquecer o parêntesis ao subtrair P(A∪B) , ou ao substituir P(A∩B)=P(A)−P(A∩B) . É o erro de sinal mais comum do item.
Usar P(B)=0,7 onde é preciso P(B)=0,3 . São etapas separadas no critério, precisamente por serem fáceis de confundir.
Dar a resposta em fração ou em percentagem. É pedida dízima.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Quando um item de probabilidades te dá uma única equação com uniões e contrários e pede uma intersecção, o plano é sempre o mesmo: põe um nome à incógnita (x=P(A∩B)), reescreve cada parcela só à custa de x e dos dados, usando De Morgan para as uniões de contrários e a partição P(X∩Y)=P(X)−P(X∩Y) para as fatias, e confia em que as probabilidades desconhecidas se anulam. Se no fim sobrar mais do que uma incógnita, foi porque ficaste a meio de um desdobramento — não porque falte um dado.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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Ler um resolve hoje; fazer o tópico inteiro é o que muda a nota.
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✓O que erras volta sozinho, no dia em que ias esquecer