O que governa este item não é uma fórmula — é olhar para os dois dados e ver que eles encaixam um no outro. Os dois acontecimentos dados têm ambos B na intersecção. Isso não é coincidência: é o caminho inteiro.
1.º — ver que os dois dados partem B ao meio
Qualquer resultado de B está numa de duas situações, e só numa: ou também está em A, ou não está em A. Por palavras de conjuntos:
B=(A∩B)∪(A∩B)e estes dois acontecimentos são incompatíveis (um exige A, o outro exige A — não há resultado que esteja nos dois).
2.º — somar, porque incompatíveis somam-se
Para acontecimentos incompatíveis, P(X∪Y)=P(X)+P(Y). Logo:
P(B)=P(A∩B)+P(A∩B)=0,5+0,3=0,83.º — passar ao acontecimento contrário
O item pergunta P(B), não P(B). Pela regra do acontecimento contrário:
P(B)=1−P(B)=1−0,8=0,2A opção correcta é a (A).
pelas leis de De Morgan e pela probabilidade da união
Se preferires trabalhar com uniões, os dois dados lêem-se assim:
- P(A∩B)=P(A)−P(A∩B)=0,5;
- A∩B=A∪B (De Morgan), logo 1−P(A∪B)=0,3, ou seja P(A∪B)=0,7.
Da probabilidade da união, P(A∪B)=P(A)+P(B)−P(A∩B), e como P(A)−P(A∩B)=0,5:
0,7=0,5+P(B)⟺P(B)=0,2Mesmo resultado, mais contas. Repara que a primeira via não precisou de saber P(A) nem P(A∩B) — e é por isso que é a via a preferir na prova.
um exemplo concreto que respeita os dados
Constrói um caso à mão: P(A∩B)=0,5, P(A∩B)=0,3, e reparte os restantes 0,2 dentro de B como quiseres (por exemplo P(A∩B)=0,1 e P(A∩B)=0,1). As quatro parcelas somam 1 e P(B)=0,1+0,1=0,2. Bate.
de onde vem cada opção errada
- (B) 0,3 — é o segundo dado copiado tal e qual: lê-se P(A∩B)=0,3 e responde-se 0,3, como se a intersecção com A não estivesse lá.
- (C) 0,7 — é 1−0,3. Vem de aplicar o contrário só ao segundo dado e parar aí. Esse valor existe e é correcto, mas é P(A∪B), não P(B).
- (D) 0,8 — é 0,5+0,3. É a conta certa parada um passo antes do fim: obtém-se P(B)=0,8 e esquece-se o 1−0,8. É o distrator mais perigoso do item, porque quem o escolhe fez tudo bem menos a última linha.
o que faz falhar este item
- Responder P(B) em vez de P(B). Sublinha na folha o que te é pedido antes de fazer a primeira conta.
- Somar os dois dados sem justificar a incompatibilidade. Aqui a soma só é legítima porque um acontecimento exige A e o outro A.
- Tentar calcular P(A) e P(A∩B) separadamente. Não é possível: os dados não chegam para isso, e nem é preciso. Perder tempo a tentar é o que mata o item numa prova com relógio.
- Confundir A∩B com A∩B. De Morgan diz A∩B=A∪B — é a união que se complementa.
para reconheceres o próximo item deste tipo
Quando te dão duas probabilidades de intersecções que partilham um dos acontecimentos e diferem só no outro e no seu contrário, tens uma partição disfarçada: somas as duas e obténs a probabilidade do acontecimento partilhado. Depois lê outra vez a pergunta — muitas vezes o que se pede é o contrário daquilo que acabaste de obter.