Exame de Matemática A 2025 · 2.ª fase — item 9, resolvido
Cotação 14 pontosResposta abertaVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 635 · 2025 · 2.ª fase
9.
Na Figura 2, estão representados, em referencial o.n. Oxy , a circunferência centrada na origem e de raio 1 , o triângulo [ABC] e a reta de equação x=1 .
Figura 2
Sabe-se que:
o ponto A pertence à circunferência;
o ponto B pertence à reta de equação x=1 ;
o ponto O pertence à reta AB ;
α é a inclinação, em radianos, da reta AB(α∈]2π,π[) ;
o ponto C pertence ao semieixo positivo Oy ;
a reta AC é paralela ao eixo Ox .
Mostre que a área do triângulo [ABC] é dada, em função de α , por
42senα−sen(2α)
Resposta de exame
O que se escreve na prova para ter a cotação toda.
Como A pertence à circunferência de centro na origem e raio 1 e α é a inclinação da reta OA , tem-se A(cosα,senα) .
Como a reta AC é paralela ao eixo Ox e C pertence ao semieixo positivo Oy , tem-se C(0,senα) .
Como α∈]2π,π[ , tem-se cosα<0 , pelo que
AC=∣0−cosα∣=−cosα
O declive da reta AB é tgα e a reta passa na origem, pelo que a sua equação reduzida é y=tg(α)x . Como B pertence à reta de equação x=1 , tem-se B(1,tgα) .
Seja D o ponto de intersecção da reta AC com a reta de equação x=1 , isto é, D(1,senα) , e seja E(1,0) .
Como α∈]2π,π[ , tem-se senα>0 e tgα<0 , pelo que DE=senα , BE=−tgα e
BD=DE+EB=senα−tgα
Tomando [AC] para base, a altura relativa a essa base é BD , porque [BD] é perpendicular à reta AC . Logo
Como sen(2α)=2senαcosα , tem-se senαcosα=2sen(2α) , pelo que
A[ABC]=2senα−4sen(2α)=42senα−sen(2α)
como se pretendia mostrar.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
É um item de mostrar: o resultado está escrito no enunciado, e o que te é pedido é o caminho. Isso muda a maneira de escrever — não podes chegar ao fim e dizer «logo é isto»; tens de partir de coisas que justificas e ir a dar à expressão dada, com cada igualdade encadeada.
O que governa o item é uma escolha: que lado tomas para base do triângulo. Aqui a escolha boa está à vista, porque o enunciado diz que AC é paralela ao eixo Ox — ou seja, [AC] é horizontal, e a altura relativa a ele é uma distância vertical, que se lê directamente pelas ordenadas. Nenhuma das outras escolhas te dá isso.
pôr coordenadas em tudo
Antes de qualquer conta, escreve as coordenadas dos três pontos à custa de α . A partir daí o problema deixa de ser geometria e passa a ser álgebra.
A. Está sobre a circunferência de centro na origem e raio 1 — a circunferência trigonométrica. Um ponto dela, associado ao ângulo α medido a partir do semieixo positivo Ox , tem coordenadas (cosα,senα) . É esta a definição de seno e de cosseno, não uma fórmula à parte. E o ângulo é mesmo α , porque α é a inclinação da reta AB e O pertence a essa reta: a semirreta OA faz com o semieixo positivo Ox o ângulo α .
C. Pertence ao semieixo positivo Oy , logo tem abcissa 0 . E como a reta AC é paralela ao eixo Ox , C tem a mesma ordenada que A . Portanto C(0,senα) .
B. A reta AB passa na origem e tem inclinação α , logo tem declive tgα e equação reduzida y=tg(α)x . Como B está na reta x=1 , substituis e ficas com B(1,tgα) .
1.º — os sinais, que é o que este item realmente mede
α∈]2π,π[ é o segundo quadrante. Daí sai tudo o resto:
cosα<0senα>0tgα=cosαsenα<0
Isto explica a figura: A está à esquerda do eixo Oy e B está abaixo do eixo Ox .
E explica a razão pela qual um comprimento não é a coordenada, é o módulo dela. Comprimentos são números não negativos; as coordenadas aqui não são.
2.º — o comprimento da base AC
A e C têm a mesma ordenada, logo a distância entre eles é a diferença das abcissas, em módulo:
AC=∣0−cosα∣=∣cosα∣=−cosα
O último passo é onde está a substância: como cosα<0 , tens ∣cosα∣=−cosα , que é positivo. Escrever AC=cosα dá um comprimento negativo e uma área negativa lá à frente.
É a etapa mais cara do item (3 pontos), precisamente por causa deste sinal.
3.º — a altura, medida na reta x=1
Chama D ao ponto onde a reta AC corta a reta x=1 , e E ao ponto (1,0) .
D está na reta horizontal que passa por A e C , logo D(1,senα) . O segmento [BD] é vertical e a reta AC é horizontal, portanto [BD] é perpendicular à base: BD é a altura do triângulo relativa a [AC] .
Agora repara onde estão os pontos: D está acima do eixo Ox (ordenada senα>0) e B está abaixo (ordenada tgα<0). E está entre os dois. Por isso a altura parte-se em duas parcelas que se somam:
DE=senαBE=∣tgα∣=−tgαBD=DE+EB=senα−tgα
Os dois sinais fazem a mesma coisa: transformam uma coordenada negativa num comprimento positivo. Estas duas etapas valem 2 + 3 pontos.
4.º — montar a área e simplificar
A[ABC]=2AC×BD=2−cosα(senα−tgα)
Como a expressão que queres alcançar só tem senos, o tgα tem de sair. Substitui-lo por cosαsenα é o que faz o cosαcancelar dentro do parêntesis — é esse o motivo da substituição, e não «porque sim»:
2−cosα(senα−cosαsenα)=2−senαcosα+senα
5.º — reconhecer o seno do ângulo duplo
Falta explicar de onde aparece o sen(2α) . A fórmula é sen(2α)=2senαcosα , portanto
que é a expressão dada. Escreve essa frase final — «como se pretendia mostrar». Vale 1 ponto e é a etapa mais barata de ganhar do exame inteiro.
partir o triângulo em dois, pelo eixo Oy
O critério aceita um segundo processo, que dispensa os pontos auxiliares D e E . O segmento [OC] divide [ABC] em dois triângulos, [AOC] e [OBC] , e a área do todo é a soma das partes.
Tomando [AC] e [OC] como bases:
A[AOC]=2AC×OCA[OBC]=2OC×1
No primeiro, a altura relativa a [AC] é OC=senα , a distância do eixo Ox à reta AC . No segundo, tomando [OC] para base (que está no eixo Oy), a altura é a distância de B ao eixo Oy , que é 1 , porque B tem abcissa 1 .
A[ABC]=2−cosα×senα+2senα×1=2senα−2cosαsenα
e daqui em diante é igual ao primeiro processo. Escolhe o que te sair primeiro; o segundo tem menos pontos auxiliares para nomear, o primeiro segue de mais perto a figura.
experimenta um valor
Toma α=43π . Então senα=22 , cosα=−22 , tgα=−1 .
Pela construção: AC=22 , BD=22+1 , logo a área é 21×22(22+1)=21(21+22)=41+2 .
Pela expressão dada: sen(23π)=−1 , logo 42×22−(−1)=42+1 . Bate.
onde é que este item come pontos
AC=cosα , sem o sinal. É o erro central do item, e leva os 3 pontos da etapa mais cara. No segundo quadrante o cosseno é negativo e um comprimento não é.
BD=senα+tgα. Quem trata tgα como um comprimento soma quando devia subtrair, e fica com uma altura mais curta do que a verdadeira.
Escolher a base errada. Com [AB] ou [BC] para base, a altura deixa de ser vertical e o item torna-se quase impossível de fechar sem calculadora.
Tomar A como (cosα,senα) sem dizer porquê. Num item de mostrar, a justificação — circunferência de raio 1 centrada na origem, ângulo α — faz parte da resposta.
Não escrever a conclusão. Chegar a 42senα−sen(2α) e não dizer que é o pretendido deixa 1 ponto por ganhar.
Partir da expressão dada e tentar chegar à figura. Num «mostre que», parte-se dos dados e chega-se à expressão, nunca ao contrário.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Sempre que um item põe um ângulo num quadrante que não é o primeiro e te pede comprimentos ou áreas, a pergunta a fazer a cada linha é: este número é positivo? Comprimentos, áreas e distâncias são não negativos; senos, cossenos e tangentes não são. O módulo é a ponte entre uns e outros, e o que o exame mede é se sabes colocá-lo — ou seja, se sabes o sinal de cada razão trigonométrica em cada quadrante.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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