O que governa este item é uma propriedade do triângulo isósceles, não uma fórmula de complexos. A geometria resolve-o quase todo; os complexos só entram para traduzir «argumento» em «ângulo com o semieixo real positivo».
1.º — traduzir cada dado para ângulos
- OZ=OW diz que o triângulo [OZW] é isósceles, com os lados iguais a saírem de O;
- «um argumento de z é 152π» diz que o ângulo entre o semieixo real positivo e O˙Z é 152π;
- «M pertence à bissetriz do primeiro quadrante» diz que o ângulo entre o semieixo real positivo e O˙M é 4π;
- «M é o ponto médio de [WZ]» diz que [OM] é a mediana do triângulo relativa ao lado [WZ].
2.º — a mediana de um triângulo isósceles é também bissetriz
Num triângulo isósceles, a mediana relativa à base coincide com a bissetriz do ângulo oposto. Como OZ=OW e M é o ponto médio de [WZ], a semirreta O˙M bisseta o ângulo ZO^W:
ZO^M=MO^WÉ esta a única ideia do item. Sem ela não há caminho; com ela o resto são duas subtracções.
3.º — calcular o ângulo de Z até à bissetriz
Como a bissetriz faz 4π com o semieixo real positivo e O˙Z faz 152π:
ZO^M=4π−152π=6015π−608π=607π4.º — continuar mais o mesmo ângulo, até W
Como MO^W=ZO^M, o argumento de w obtém-se somando outra vez esse ângulo à direcção da bissetriz:
Arg(w)=4π+607π=6015π+607π=6022π=3011πA opção correcta é a (D).
pela simetria em relação à bissetriz
Há um atalho que dispensa contas intermédias. A bissetriz do primeiro quadrante é o eixo de simetria de Z e W; reflectir na recta y=x troca o ângulo medido a partir do eixo real pelo mesmo ângulo medido a partir do eixo imaginário. Logo, o ângulo que O˙W faz com o semieixo imaginário positivo é igual ao que O˙Z faz com o semieixo real positivo, isto é, 152π. Então:
Arg(w)=2π−152π=3015π−304π=3011πNuma só linha. Vale a pena fixar: reflectir na bissetriz é trocar θ por 2π−θ.
a figura confirma?
3011π≈1,15 rad e 4π≈0,79 rad, logo W está acima da bissetriz; 152π≈0,42 rad coloca Z abaixo dela. É exactamente o que a Figura 1 mostra. Além disso 3011π<2π, portanto W fica no primeiro quadrante — também de acordo com a figura. Qualquer opção que caísse abaixo de 4π estaria imediatamente desmentida pelo desenho.
de onde vem cada opção errada
- (A) 607π — é 4π−152π, ou seja a amplitude do ângulo ZO^M. É um valor intermédio e correcto do cálculo, mas é o ângulo entre Z e a bissetriz, não o argumento de w. Quem para no primeiro passo cai aqui. Repara que 607π<152π=608π: poria W abaixo de Z, contra a figura.
- (B) 6011π — é 4π−15π=6015π−604π: vem de partir ao meio o argumento de z (152π→15π) e subtrair. É também exactamente metade da resposta certa, o que o torna apetecível a quem confunde M com W e pensa que basta duplicar ou dividir por dois no sítio errado.
- (C) 307π — é 2×607π, isto é, 2(4π−152π)=2π−154π. Sai de duplicar o ângulo ZO^M e usar esse dobro como se fosse o argumento de w, esquecendo que o dobro é a amplitude de ZO^W e que ainda falta somar-lhe o argumento de z. De facto 152π+307π=304π+307π=3011π — é esta soma que fecha o item.
- (D) 3011π — a correcta.
o que faz falhar este item
- Não reconhecer que a mediana é bissetriz. Sem o triângulo isósceles, o dado «M é ponto médio» fica sem uso e o item torna-se impossível.
- Usar OZ=OW só como «os módulos são iguais» e parar aí. É verdade que ∣z∣=∣w∣, mas o que resolve o item é a consequência angular dessa igualdade.
- Parar no ângulo intermédio 607π — o item pergunta o argumento de w, não a amplitude de ZO^M.
- Somar em vez de subtrair (ou o contrário) na primeira conta. O sinal decide-se olhando para a figura: Z está abaixo da bissetriz, logo subtrai-se.
- Errar o denominador comum. 4π e 152π reduzem-se a sexagésimos: 6015π e 608π.
- Não usar a figura como controlo. Duas das quatro opções (607π e 6011π) são menores que 4π e, por isso, colocariam W do lado errado da bissetriz. Um olhar ao desenho elimina-as em segundos.
para reconheceres o próximo item deste tipo
Num item de complexos com figura, converte cada dado geométrico num ângulo medido a partir do semieixo real positivo e só depois faz contas. Dois pontos com o mesmo módulo são simétricos relativamente à bissetriz do ângulo que formam — e se essa bissetriz for a recta y=x, o argumento de um obtém-se do outro por θ↦2π−θ. Guarda também o reflexo de testar cada opção contra a posição dos pontos na figura: em escolha múltipla, isso elimina metade das hipóteses antes de qualquer cálculo.