Exame de Matemática A 2026 · 2.ª fase — item 16, resolvido
Cotação 14 pontosResposta abertaVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 635 · 2026 · 2.ª fase
16.
Na Figura 6, estão representados, em referencial o.n. Oxy, a circunferência trigonométrica, o triângulo [ABC] e o ponto D.
Figura 6
Sabe-se que:
A é um ponto pertencente à reta de equação x=1, de ordenada positiva;
α é a inclinação da reta OA, com α∈]0,4π[;
C é o ponto de intersecção da reta OA com a circunferência, de coordenadas negativas;
D é o ponto de coordenadas (0,1);
B é o ponto de intersecção da reta de equação x=1 com a reta CD.
Mostre que
AB=1+cosα1
Resposta de exame
O que se escreve na prova para ter a cotação toda.
A reta OA passa na origem e tem inclinação α, logo tem declive tgα e equação y=xtgα. Como A pertence à reta de equação x=1, tem-se A=(1,tgα).
C é o ponto de intersecção da reta OA com a circunferência trigonométrica que tem coordenadas negativas, ou seja, o ponto associado ao ângulo α+π. Como cos(α+π)=−cosα e sen(α+π)=−senα, tem-se C=(−cosα,−senα).
Como α∈]0,4π[, tem-se cosα>0. O declive da reta CD é
m=xD−xCyD−yC=cosα1+senα
e, como D=(0,1) pertence ao eixo Oy, a equação reduzida da reta CD é
y=cosα1+senαx+1
B é o ponto de intersecção desta reta com a reta de equação x=1, pelo que
yB=cosα1+senα+1=cosα1+senα+cosα
Como A e B pertencem ambos à reta de equação x=1 e yB>yA, tem-se
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O que governa este item. É um «Mostre que»: a tese já te é dada, portanto não há nada para descobrir — há um caminho para construir e escrever. Nos critérios, «Concluir o pretendido» vale 4 dos 14 pontos, o que te diz à letra que a conta final (a subtração que faz aparecer 1+cosα1) tem de estar escrita na folha, não subentendida.
E há uma observação que simplifica tudo, e que convém fazer antes de qualquer conta: A e B estão os dois na reta x=1. Logo [AB] é um segmento vertical e
AB=∣yB−yA∣
Ou seja: o item inteiro reduz-se a encontrar duas ordenadas e subtraí-las.
1.º — a ordenada de A — a reta x=1 é o eixo das tangentes
A reta OA passa na origem e tem inclinação α, logo tem declive tgα e equação y=xtgα. Fazendo x=1:
A=(1,tgα)
Isto é exactamente a leitura geométrica da tangente na circunferência trigonométrica: a reta x=1 é o eixo das tangentes, e a ordenada do ponto onde o lado extremidade do ângulo a corta é tgα.
Confere que é coerente com o enunciado: como α∈]0,4π[, tem-se tgα∈]0,1[ — ordenada positiva, como é dito. Vale 1 ponto.
2.º — as coordenadas de C — e o sinal que decide o item
Um ponto da circunferência trigonométrica associado a um ângulo θ tem coordenadas (cosθ,senθ). A reta OA corta a circunferência em dois pontos: o do ângulo α, no 1.o quadrante, e o diametralmente oposto, do ângulo α+π, no 3.o quadrante. O enunciado diz que C tem coordenadas negativas, logo é o segundo. Pelas fórmulas de redução,
cos(α+π)=−cosαesen(α+π)=−senαC=(−cosα,−senα)
Etapa de 2 pontos, e a mais perigosa do item: se trocares os sinais aqui, tudo o que vem a seguir sai errado e a igualdade nunca fecha. Se, a meio, vires que o resultado não dá, é a este passo que deves voltar primeiro.
3.º — a equação reduzida da reta CD — 4 pontos, a etapa mais cotada
D=(0,1) está sobre o eixo Oy, portanto a ordenada na origem da reta CD é 1 e a equação é da forma y=mx+1 — poupaste o sistema que seria preciso com dois pontos quaisquer.
O declive é a razão entre as variações:
m=xD−xCyD−yC=0−(−cosα)1−(−senα)=cosα1+senα
O denominador não é zero: de α∈]0,4π[ vem cosα>0. Diz isto na folha — é o que garante que a reta CD não é vertical e que a equação reduzida existe.
5.º — concluir — 4 pontos, e a passagem que faz tudo colapsar
Pela figura, B está acima de A, logo AB=yB−yA:
AB=cosα1+senα+cosα−tgα
Agora o passo que resolve o item: escreve a tangente como quociente, tgα=cosαsenα. É isso que põe as duas parcelas com o mesmo denominador e faz o seno desaparecer:
Os critérios admitem um segundo processo, com a mesma cotação total. É mais bonito e mais curto de escrever, mas exige ver bem a figura.
Passo 1 — o ângulo AO^D. A semirreta OA faz α com Ox e OD é o semieixo positivo Oy, logo o ângulo convexo AO^D mede 2π−α. (1 ponto)
Passo 2 — o ângulo AC^B. Como OC=OD=1 (são raios da circunferência trigonométrica), o triângulo [OCD] é isósceles. O ângulo CO^D é suplementar de AO^D, logo mede 2π+α, e os ângulos da base valem cada um
2π−(2π+α)=4π−2α
Como A está na semirreta CO para lá de O, e B na semirreta CD para lá de D, o ângulo AC^Bé o ângulo OC^D: mede 4π−2α. (2 pontos)
Passo 3 — o ângulo BA^C. O ângulo suplementar de BA^C mede 2π−α (é o ângulo entre a semirreta AC, de inclinação α, e a semirreta vertical descendente a partir de A), (2 pontos) logo
BA^C=π−(2π−α)=2π+α
(2 pontos)
Passo 4 — o ângulo CB^A. Pela soma dos ângulos internos do triângulo [ABC],
CB^A=π−(4π−2α)−(2π+α)=4π−2α
(1 ponto)
Passo 5 — o triângulo é isósceles. Como AC^B=CB^A, o triângulo [ABC] é isósceles e os lados opostos a esses ângulos são iguais: AB=AC. (1 ponto)
Passo 6 — medir AC. De A=(1,tgα)(1 ponto), no triângulo retângulo de vértices O, (1,0) e A tem-se cosα=OA1, donde
OA=cosα1
(3 pontos)
Como O está entre C e A e OC=1 (raio),
AB=AC=AO+OC=cosα1+1=1+cosα1
(1 ponto)
Escolhe um processo e escreve-o até ao fim. Misturar os dois a meio é a forma mais segura de não fechar nenhum.
testa com um valor concreto
Um «Mostre que» não se confere com um exemplo — mas um exemplo apanha erros de sinal em segundos, e vale a pena fazê-lo no rascunho. Toma α=6π: então A=(1,33), C=(−23,−21), o declive de CD é 231+21=3 e yB=3+1≈2,732.
Daí AB≈2,732−0,577=2,155; e 1+cos6π1=1+32≈2,155. Bate.
onde se perdem os 14 pontos
Sinais de C: escrever C=(cosα,senα) é o erro mais frequente e custa os 2 pontos da etapa e todas as etapas seguintes, porque a igualdade deixa de fechar.
Não usar que D está no eixo Oy e montar um sistema com dois pontos: não é erro, mas gasta tempo e abre portas a enganos de cálculo.
Trocar a ordem no declive: xD−xCyD−yC e xC−xDyC−yD dão o mesmo, mas xC−xDyD−yC dá o simétrico.
Não escrever tgα=cosαsenα na subtração final: sem isso as parcelas não juntam e o seno não se cancela.
Parar em cosα1+cosα. Está certo, mas não é a forma pedida: o enunciado pede 1+cosα1. Num «Mostre que», a última linha tem de ser exactamente a tese.
Não justificar cosα=0: é o que permite dividir e escrever a equação reduzida.
Escrever AB=yA−yB: dá o simétrico, um comprimento negativo. Como α∈]0,4π[, B está acima de A.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Na circunferência trigonométrica, três leituras resolvem quase tudo e convém tê-las automáticas: ponto sobre a circunferência→(cosθ,senθ); ponto sobre x=1→ ordenada tgθ; ponto diametralmente oposto→ ambas as coordenadas com o sinal trocado.
E fixa o método que usaste: quando dois pontos estão na mesma reta vertical, a distância é a diferença das ordenadas — não precisas da fórmula da distância entre dois pontos, nem de raízes. Procura sempre esse alinhamento antes de começar a calcular.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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