1.º — o que governa o item: duas condições, duas posições fixas
O enunciado impõe três coisas ao mesmo tempo, e cada uma prende uma parte do número:
- cinco algarismos diferentes — não há repetições, logo cada algarismo usado sai da lista dos disponíveis;
- múltiplo de 5 — prende o algarismo das unidades: tem de ser 0 ou 5;
- maior do que 50000 — prende o algarismo das dezenas de milhares (o primeiro): tem de ser 5, 6, 7, 8 ou 9.
Repara que 50000 tem algarismos repetidos, portanto não é um dos números em causa: todo o número de cinco algarismos diferentes começado por 5 ou mais é automaticamente maior do que 50000. Não há caso de fronteira para tratar à parte.
Estas duas primeiras leituras — 0 ou 5 nas unidades, e 5 a 9 à cabeça — são etapas pontuadas por si, 2 pontos cada, mesmo antes de qualquer conta. Escreve-as explicitamente.
2.º — porque é que se separa em dois casos
As duas posições fixas interferem uma com a outra: o 5 pode ocupar qualquer das duas, mas não as duas ao mesmo tempo, porque os algarismos são diferentes. Enquanto não decidires o algarismo das unidades, não sabes quantas hipóteses restam à cabeça.
É isso — e só isso — que obriga a separar em dois casos disjuntos: unidades =0 e unidades =5. Sendo disjuntos, no fim somam-se.
3.º — caso 1 — o número termina em 0
O 0 está nas unidades. Para as dezenas de milhares sobram as cinco hipóteses da condição: 5, 6, 7, 8 ou 9 (o 0 já foi usado e, de qualquer modo, um número não começa por 0).
Para as três posições do meio — milhares, centenas e dezenas — restam 10−2=8 algarismos, e a ordem importa (o 123 do meio não é o 321). São arranjos simples de 8 elementos tomados 3 a 3:
8A3=8×7×6=336Pela regra do produto, o caso 1 dá
5×8A3=5×336=1680Esta etapa vale 5 pontos — é a mais pesada do item.
4.º — caso 2 — o número termina em 5
Agora o 5 está ocupado nas unidades, por isso já não pode estar à cabeça. Das cinco hipóteses iniciais sobram quatro: 6, 7, 8 ou 9.
Para as três posições do meio continuam a restar 10−2=8 algarismos, logo outra vez 8A3=336:
4×8A3=4×336=1344É aqui que a maioria dos erros nasce: quem copia o 5 do caso anterior escreve 5×336 e obtém 1680 outra vez, esquecendo que o 5 já está gasto.
5.º — somar os dois casos
Os dois casos não têm números em comum (um termina em 0, o outro em 5), portanto somam-se:
1680+1344=3024a conta faz sentido?
Sem qualquer restrição de paridade, os números de cinco algarismos diferentes começados por 5 a 9 são 5×9×8×7×6=15120. Dos dez algarismos possíveis para as unidades, só dois servem, e 102×15120=3024. Bate certo — e a coincidência não é acaso: as duas restrições quase não se estorvam, e o pequeno desconto do caso 2 é compensado por sobrar mais escolha à cabeça no caso 1.
contar tudo de uma vez, pelas unidades
Podes organizar a contagem começando pelas unidades e depois pela cabeça, que é o que fiz, ou fixar primeiro a cabeça e depois as unidades. Se fixares a cabeça, tens de separar em cabeça =5 (então as unidades só podem ser 0: 1×8A3=336) e cabeça ∈{6,7,8,9} (as unidades podem ser 0 ou 5: 4×2×8A3=2688). Soma: 336+2688=3024. Mesmo resultado, e serve de confirmação.
o que se escreve na folha
Não é pedida aproximação, logo o resultado é exacto: 3024. Justifica cada factor — de onde vêm o 5, o 4 e o 8A3 — porque os critérios pontuam o reconhecimento das condições, não só o número final.
onde se perdem pontos
- Usar 5 hipóteses à cabeça também no caso das unidades =5. É o erro clássico: dá 3360 em vez de 3024.
- Trocar arranjos por combinações no meio do número. As três posições são ordenadas: 8A3=336, não 8C3=56.
- Contar 9 algarismos para o meio. Já foram gastos dois (as unidades e a cabeça), sobram 8.
- Multiplicar os dois casos em vez de os somar. São alternativas, não etapas de uma mesma escolha.
- Escrever só o 3024. Sem as duas primeiras leituras e sem as duas contagens explicadas perdes até 13 dos 14 pontos: o valor final vale 1 ponto.
- Incluir o 50000 ou tentar excluí-lo com um caso extra. Tem algarismos repetidos, já está fora à partida.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Sempre que duas restrições prendem posições diferentes mas disputam o mesmo algarismo, a contagem parte-se em casos por esse algarismo. Aqui o 5 serve para as unidades e para a cabeça, e é ele que manda separar. Se as restrições não partilhassem nenhum símbolo, bastava multiplicar tudo de seguida.