Exame de Matemática A 2026 · 2.ª fase — item 2.1, resolvido
Cotação 14 pontosResposta abertaVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 635 · 2026 · 2.ª fase
2.
Seja f uma função real, de domínio R+, cuja derivada, f′, de domínio R+, é definida por
f′(x)=x1+2lnx
Resolva os itens 2.1. e 2.2. sem recorrer à calculadora.
2.1.
Estude a função f quanto ao sentido das concavidades do seu gráfico e quanto à existência de pontos de inflexão.
Na sua resposta, apresente:
o(s) intervalo(s) em que o gráfico da função f tem concavidade voltada para baixo;
o(s) intervalo(s) em que o gráfico da função f tem concavidade voltada para cima;
a(s) abcissa(s) do(s) ponto(s) de inflexão do gráfico da função f , caso este(s) exista(m).
Resposta de exame
O que se escreve na prova para ter a cotação toda.
f′′(x)=(x1+2lnx)′=x2(1+2lnx)′×x−(1+2lnx)×(x)′=x2x2×x−1−2lnx=x21−2lnx , para x∈R+ .
f′′(x)=0⟺x21−2lnx=0⟺1−2lnx=0⟺lnx=21⟺x=e21=e
Em R+ tem-se x2>0 , pelo que o sinal de f′′ é o sinal de 1−2lnx .
x
0
e
+∞
1−2lnx
n.d.
+
0
−
x2
n.d.
+
+
+
f′′(x)
n.d.
+
0
−
gráfico de f
n.d.
⌣
P.I.
⌢
Assim, o gráfico da função f :
tem a concavidade voltada para cima no intervalo ]0,e] ;
tem a concavidade voltada para baixo no intervalo [e,+∞[ ;
tem um ponto de inflexão de abcissa e .
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O item pergunta pelas concavidades e pelos pontos de inflexão do gráfico de f . Quem governa as duas coisas é a segunda derivada: onde f′′>0 a concavidade está voltada para cima, onde f′′<0 está voltada para baixo, e um ponto de inflexão é onde f′′muda de sinal.
Repara no presente que o enunciado te dá: não te dá f — dá-te f′ . Estás a uma derivada da resposta, não a duas. E o domínio é R+ , o que vai simplificar muito o estudo do sinal.
o que está escrito, com cuidado
f′(x)=x1+2lnx
É um quociente: em cima 1+2lnx , em baixo x . Vais precisar da regra do quociente (vu)′=v2u′v−uv′ e de (lnx)′=x1 .
1.º — derivar f′ para obter f′′
Com u=1+2lnx e v=x , tens u′=x2 e v′=1 :
f′′(x)=x2x2×x−(1+2lnx)×1
O numerador simplifica-se muito: x2×x=2 , e a seguir 2−1−2lnx=1−2lnx .
f′′(x)=x21−2lnx,x∈R+
Esta etapa vale 3 pontos por si. E o critério é generoso na intenção: se for evidente que estavas a derivar f′ , mesmo que erres a conta, a etapa não vale zero — vale pelo menos 1 ponto.
2.º — escrever a equação f′′(x)=0
Escrever a equação é, sozinho, 1 ponto no critério. Não a saltes mentalmente.
f′′(x)=0⟺x21−2lnx=0
Uma fração é nula quando o numerador é nulo e o denominador não. Aqui o denominador x2 nunca é nulo, porque x∈R+ — a condição sobre o denominador é universal no domínio, e é isso que deves dizer em vez de a ignorar.
3.º — resolver e encontrar o zero
1−2lnx=0⟺2lnx=1⟺lnx=21⟺x=e21=e
A passagem de lnx=21 para x=e21 é a definição de logaritmo natural: lnx=k⟺x=ek . E e21 escreve-se e — as duas formas são aceites, mas é mais legível a segunda.
Este zero vale 3 pontos. E é o único: a função ln é injectiva, logo lnx=21 tem uma e uma só solução.
4.º — o quadro de sinal
Ter o zero não chega. O zero diz onde pode haver mudança de concavidade; não diz qual é o sentido de cada lado. O quadro de sinal é uma etapa pontuada por si — e é a mais cara do item: 4 pontos.
O truque que torna isto rápido: em R+ tem-se sempre x2>0 , logo o sinal de f′′ é exactamente o sinal de 1−2lnx . Não precisas de estudar o denominador caso a caso — precisas de dizer que ele é sempre positivo.
E 1−2lnx>0⟺lnx<21⟺x<e (o sentido da desigualdade inverte-se ao dividir por −2, e mantém-se ao aplicar a exponencial, que é crescente).
x
0
e
+∞
1−2lnx
n.d.
+
0
−
x2
n.d.
+
+
+
f′′(x)
n.d.
+
0
−
gráfico de f
n.d.
⌣
P.I.
⌢
O «n.d.» na coluna do 0 não é um pormenor: 0não pertence ao domínio, e por isso o intervalo da esquerda é aberto em 0 .
5.º — ler as três respostas pedidas
Concavidade voltada para cima (onde f′′>0): ]0,e] .
Concavidade voltada para baixo (onde f′′<0): [e,+∞[ .
Abcissa do ponto de inflexão: e — e é ponto de inflexão porque f′′muda mesmo de sinal ali, de + para − . Dizer só que f′′(e)=0 não prova nada.
Apresentar os dois intervalos vale 2 pontos; apresentar a abcissa da inflexão vale 1 ponto.
fechado ou aberto no e ?
O critério resolve esta dúvida por ti: se escreveres ]0,e[ em vez de ]0,e] , e ]e,+∞[ em vez de [e,+∞[ , a etapa conta-se como cumprida na mesma. As duas escritas valem.
O que não vale é incluir o 0 : 0∈/R+ , logo o intervalo é obrigatoriamente aberto à esquerda.
o zero cai onde deve
e≈1,65 , portanto está mesmo dentro de R+ . E podes testar um ponto de cada lado: em x=1 tens ln1=0 e f′′(1)=11−0=1>0 (concavidade para cima, confere); em x=e tens lne=1 e f′′(e)=e21−2=−e21<0 (para baixo, confere).
onde é que se perdem pontos
Estudar o sinal de f′ em vez do de f′′. É o erro mais caro, porque responde a outra pergunta: o sinal de f′ dá monotonia, não concavidade. Aqui o convite é forte, porque o enunciado já te entrega f′ pronto a estudar.
Derivar f em vez de f′. Não conheces f . Quem tenta «primitivar» perde o item inteiro.
Errar a regra do quociente, tipicamente escrevendo u′v+uv′ no numerador ou esquecendo o v2 .
Não simplificar x2×x e arrastar a fração dentro da fração até ao fim — não é erro, mas é onde nascem os enganos de sinal.
Extrair a raiz de lnx=21 e escrever x=21 , esquecendo a exponencial.
Saltar o quadro de sinal e ir directo às conclusões. São 4 pontos que se perdem mesmo com os intervalos certos: sem quadro não mostraste porquê.
Incluir o 0 no intervalo ou apresentar os intervalos em R em vez de R+ .
Concluir ponto de inflexão só porque f′′=0 , sem invocar a mudança de sinal.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
«Concavidades» e «pontos de inflexão» são sempre o mesmo percurso: f′′→ zeros de f′′→ quadro de sinal → conclusões. E fixa dois atalhos que aparecem quase sempre: quando o denominador é uma potência par, ele não muda o sinal e podes estudar só o numerador; e quando te dão f′ (e não f), derivas uma vez, não duas.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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