nomeia os acontecimentos antes de escrever uma única probabilidade
Este item dá-te informação em palavras e pede-te uma probabilidade em símbolos. A tradução é metade do trabalho — e nos critérios vale pontos por si. Segue a notação dos critérios:
- A: «o número inscrito no cartão é par»;
- M: «o número inscrito no cartão é múltiplo de três».
Repara já numa coisa que vai ser decisiva: o enunciado fala de ímpar, e ímpar é A — o contrário de par. Não há acontecimento novo a inventar.
1.º — traduzir os dois dados
«62,5% são múltiplos de três» é a probabilidade simples
P(M)=0,625«um terço dos que não são múltiplos de três são pares» é uma probabilidade condicionada: o universo já não é a caixa toda, é só a parte M .
P(A∣M)=31Reconhecer esta segunda como condicionada vale 2 pontos, e é o passo onde mais gente se engana: quem escreve P(A)=31 perde o item inteiro, porque afirma que um terço de todos os cartões é par.
2.º — tirar as duas probabilidades que faltam
Do complementar:
P(M)=1−P(M)=1−0,625=0,375E da definição de probabilidade condicionada, P(A∣M)=P(M)P(A∩M) , tirando o produto:
P(A∩M)=P(A∣M)×P(M)=31×0,375=0,125Em palavras: 12,5% dos cartões têm um número par que não é múltiplo de três. Guarda esta frase — é a chave de todo o problema.
3.º — escrever o que é pedido em símbolos
«múltiplo de três ou ímpar» é uma reunião, e ímpar é A :
P(M∪A)Esta identificação vale 2 pontos. Escreve-a explicitamente, mesmo que o resto te corra mal.
4.º — a fórmula da reunião, e porque é que o que não sabes desaparece
Olha para o que tens: P(M), P(M) e P(A∩M). Nunca vais saber P(A) — o enunciado não diz que fracção dos cartões é par. Parece um beco sem saída, mas não é: o P(A) cancela-se.
Parte da fórmula da probabilidade da reunião:
P(M∪A)=P(M)+P(A)−P(M∩A)Substitui P(A)=1−P(A) e, por decomposição de M nas partes par e ímpar, P(M∩A)=P(M)−P(M∩A) :
P(M∪A)=P(M)+1−P(A)−P(M)+P(M∩A)=1−P(A)+P(M∩A)Vê o que aconteceu: o P(M) saiu das contas. Falta reconhecer que P(A)−P(M∩A) é exactamente a parte par que fica fora de M :
P(A)−P(M∩A)=P(A∩M)=0,125Logo
P(M∪A)=1−0,125=0,875pelas leis de De Morgan (o 2.º processo dos critérios)
Há um caminho mais curto, e vale os mesmos 14 pontos. Pergunta-te quem fica de fora de «múltiplo de três ou ímpar»: só os cartões que não são múltiplos de três e são pares. Em símbolos, é o que as leis de De Morgan dizem:
M∪A=M∩AOra P(M∩A) é precisamente o 0,125 que já tinhas. Então
P(M∪A)=1−P(M∩A)=1−0,125=0,875É o mesmo número por um caminho de três linhas. Se reconheceres a passagem pelo complementar, usa-a — nos critérios ela vale 4 pontos de uma só vez.
monta a tabela e confere
Reparte a caixa em quatro pedaços, que têm de somar 1 :
| múltiplo de 3 (M) | não múltiplo de 3 (M) | total |
|---|
| par (A) | ? | 0,125 | ? |
| ímpar (A) | ? | 0,25 | ? |
| total | 0,625 | 0,375 | 1 |
O único pedaço que não entra em «múltiplo de três ou ímpar» é a célula 0,125 — os pares que não são múltiplos de três. Tudo o resto conta. Logo a probabilidade pedida é 1−0,125=0,875, e nem sequer precisas de saber quanto vale cada uma das duas células com interrogação. Esta tabela é a melhor forma de conferires o resultado em vinte segundos.
fração irredutível, como o enunciado manda
O enunciado pede o resultado na forma de fração irredutível, portanto 0,875 não é resposta final:
0,875=1000875=87Confirma que é irredutível: 7 é primo e não divide 8.
P(M∪A)=87onde se perdem pontos
- Ler «um terço dos que não são múltiplos de três são pares» como P(A)=31. É condicionada; o universo é M, não a caixa toda.
- Escrever P(A∩M)=31 sem multiplicar por P(M). Faltam os 0,375.
- Traduzir «ímpar» como um acontecimento novo em vez de A — e ficar sem forma de o ligar aos dados.
- Somar P(M)+P(A) sem subtrair a interseção. Os dois acontecimentos não são incompatíveis: há múltiplos de três que são ímpares.
- Desistir por não conhecer P(A). Ele cancela-se; e pelo complementar nem chega a aparecer.
- Parar em 0,875 ou entregar 1000875. A forma pedida é a fração irredutível, 87.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Quando a reunião pedida cobre quase tudo, conta o que fica de fora. «M ou A» exclui apenas «M e A», e é quase sempre esse pedaço que o enunciado te deu de bandeja. A pergunta a fazer, antes de qualquer fórmula, é: que cartões é que esta condição rejeita?