Este é o item que mais gente abandona à entrada, porque o enunciado dá três condições e nenhum número onde pegar. O desbloqueio é sempre o mesmo: dá um nome à coisa que falta. Aqui falta a abcissa de A — chama-lhe a e escreve tudo em função de a e de k. As três condições passam então a ser três equações.
dar nome à abcissa de A
Seja a a abcissa do ponto A. O enunciado diz que
a∈]0,2π[Guarda bem este intervalo: é ele que vai decidir os sinais de cosa e de sena, e é nos sinais que este item se decide. Em ]0,2π[ (primeiro quadrante) tem-se cosa>0 e sena>0.
1.º — coordenadas de A
A pertence ao gráfico de f, logo a ordenada é a imagem da abcissa:
A=(a,kcosa)Vale 1 ponto.
2.º — coordenadas de B
«A abcissa de B excede em 2π a abcissa de A» quer dizer que se soma 2π:
xB=a+2πVale 1 ponto. E, como B também está no gráfico,
yB=f(a+2π)=kcos(a+2π)Aqui não podes ficar-te por esta expressão — a etapa só está cumprida quando reduzes. Pela redução ao primeiro quadrante (ou pela fórmula do cosseno da soma, cos(a+b)=cosacosb−senasenb, com b=2π, que dá cosa×0−sena×1):
cos(a+2π)=−sena⇒yB=−ksenaB=(a+2π,−ksena)Esta etapa vale 2 pontos — é a que mais se perde, e é a que faz o item andar.
3.º — traduzir as distâncias aos eixos (atenção aos módulos)
A distância de um ponto ao eixo Ox é o módulo da ordenada. Como as abcissas de A e de B são positivas, é ao semieixo positivo Ox que os dois pontos ficam associados, e as distâncias são ∣yA∣ e ∣yB∣.
Agora usa os sinais que guardaste:
- a∈]0,2π[ e k>0 ⇒ yA=kcosa>0, logo a distância de A é ∣yA∣=kcosa;
- yB=−ksena<0, logo a distância de B é ∣yB∣=ksena.
Isto confirma-se na figura: A está acima do eixo Ox e B abaixo.
«A distância de A excede em 1 a distância de B» escreve-se então
kcosa=ksena+1Vale 1 ponto. Repara no que aconteceria sem o módulo: escreverias yA=yB+1, ou seja kcosa=−ksena+1, com o sinal trocado — e a partir daí o item está perdido.
4.º — a área do retângulo
O retângulo tem [AB] por diagonal e os lados paralelos aos eixos. Isso obriga os outros dois vértices a ser (a,−ksena) e (a+2π,kcosa), e os lados a medir:
- horizontal: xB−xA=(a+2π)−a=2π — repara que o a desaparece, o lado não depende de onde está A;
- vertical: yA−yB=kcosa−(−ksena)=kcosa+ksena — é uma soma, porque os pontos estão de lados opostos do eixo Ox e as duas distâncias somam-se.
Igualando a área dada:
(kcosa+ksena)×2π=27πEsta é a etapa mais cotada do item: 3 pontos. Simplifica (divide os dois membros por 2π, que é positivo):
kcosa+ksena=75.º — resolver o sistema em kcosa e ksena
Junta as duas condições, escrevendo a primeira com tudo do mesmo lado:
{kcosa−ksena=1kcosa+ksena=7O truque é não tentar encontrar a: trata kcosa e ksena como duas incógnitas. Somando as duas equações membro a membro, o ksena cancela-se:
2kcosa=8⇔kcosa=4⇔cosa=k4Subtraindo-as, cancela-se o kcosa:
2ksena=6⇔ksena=3⇔sena=k3(A divisão por k é legítima: k∈R+, logo k=0.) Esta etapa vale 2 pontos.
6.º — a fórmula fundamental elimina o ângulo
Tens cosa e sena escritos em função de k, e uma relação que vale sempre entre eles. É ela que faz desaparecer o ângulo que nunca chegaste a conhecer:
sen2a+cos2a=1⇒(k4)2+(k3)2=1Vale 2 pontos. E agora é conta:
k216+k29=1⇔k225=1⇔k2=25⇔k=−5∨k=5Como k∈R+,
k=5Valem os últimos 2 pontos — e a frase que rejeita k=−5 faz parte da resposta.
elevar ao quadrado e somar, sem isolar cosa e sena
Do sistema kcosa−ksena=1 e kcosa+ksena=7, eleva ambas ao quadrado e soma:
(kcosa−ksena)2+(kcosa+ksena)2=12+72Os duplos produtos são simétricos e anulam-se:
2k2cos2a+2k2sen2a=50⇔2k2(cos2a+sen2a)=50⇔2k2=50⇔k2=25e, com k>0, k=5. Chega ao mesmo em menos linhas, mas escreve na mesma a fórmula fundamental — é ela que vale os pontos.
os números fecham?
Com k=5: cosa=54 e sena=53 — o clássico triângulo 3–4–5, e ambos positivos, o que é coerente com a no primeiro quadrante (a=arccos0,8≈0,64 rad, e de facto 0<0,64<2π≈1,57).
Então yA=5×54=4 e yB=−5×53=−3. As distâncias ao eixo são 4 e 3, e 4=3+1 ✓. A área do retângulo é 2π×(4+3)=27π ✓. As três condições estão satisfeitas.
valor exacto e o sinal de k
k=5 é exacto, não há arredondamento nenhum a fazer. E a rejeição de k=−5 não é um detalhe: o enunciado escreve k∈R+ precisamente para que a resposta seja única.
onde é que este item se perde
- Não dar nome à abcissa de A. Sem o a não há como escrever nada; é o passo que os próprios critérios põem à cabeça.
- Deixar yB=kcos(a+2π) por reduzir. São 2 pontos, e sem −ksena a fórmula fundamental nunca aparece.
- Reduzir mal: cos(a+2π)=−sena, e não +sena nem cosa. Confirma no círculo trigonométrico: somar 2π roda um quarto de volta.
- Esquecer os módulos nas distâncias. B está abaixo do eixo, a distância é ∣yB∣=ksena, um número positivo.
- Escrever o lado vertical como uma diferença kcosa−ksena. É a soma: os dois pontos estão de lados opostos do eixo Ox.
- Tentar encontrar a primeiro. As condições não determinam a sozinho, determinam o par; quem parte para arctan perde-se.
- Aceitar k=−5. O domínio de k é R+.
- Responder só com o valor. É um item de construção: os cálculos e as justificações — em particular o sinal de cada ordenada — têm de estar na folha.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Quando um problema dá várias condições sobre pontos de um gráfico trigonométrico e pergunta um parâmetro, o caminho é quase sempre este: nomear a abcissa desconhecida, escrever tudo em função dela e do parâmetro, e depois eliminar o ângulo com sen2+cos2=1. O ângulo é uma incógnita auxiliar que nunca precisas de calcular — e reconhecer isso poupa metade da prova.