O que governa este item. Uma superfície esférica de centro C(a,b,c) e raio r tem sempre a mesma equação:
(x−a)2+(y−b)2+(z−c)2=r2O centro já te é dado — C(21,3,3) — por isso o único trabalho do item é descobrir r. E quem to dá é a palavra tangente.
1.º — o que significa ser tangente a um plano coordenado
Uma superfície esférica é tangente a um plano quando o toca num só ponto. E esse ponto é sempre a projeção ortogonal do centro sobre o plano, porque é o ponto do plano mais próximo do centro. Logo, a distância do centro ao plano é exactamente o raio:
r=d(C,plano)O enunciado diz que a superfície é tangente ao plano xOy no ponto A. O plano xOy é o plano de equação z=0, e a distância de um ponto a esse plano é o módulo da sua cota:
r=d(C,xOy)=∣3∣=3a segunda tangência tem de dar o mesmo
O enunciado dá-te ainda uma segunda tangência, ao plano xOz, no ponto B. O plano xOz é o plano y=0, e a distância a esse plano é o módulo da ordenada:
r=d(C,xOz)=∣3∣=3Os dois caminhos dão 3, como tinha de ser — é a mesma superfície esférica. Esta coincidência não é acaso: a ordenada e a cota do centro são ambas 3, e é precisamente por isso que a figura mostra a esfera a tocar os dois planos. Se te tivessem dado uma só tangência, chegava.
Repara também que a abcissa 21 não entra em nenhuma destas contas. Ela só diz onde é que a esfera está colocada na direcção Ox; como não há tangência ao plano yOz, a abcissa não determina raio nenhum. É um número posto ali de propósito, para ver se o usas onde não deve entrar.
2.º — escrever a equação
Com C(21,3,3) e r=3:
(x−21)2+(y−3)2+(z−3)2=32=9que é a opção (A).
atenção ao r2 do lado direito
O segundo membro é r2 e não r. Aqui r=3 e r2=9 — é o passo em que se perde o item por distracção, sobretudo quando o raio é um número pequeno e r e r2 parecem os dois «plausíveis».
de onde vem cada opção errada
As três erradas estão construídas a partir de dois enganos, cruzados um com o outro: usar a origem como centro, e usar a distância da origem ao centro como raio.
Essa distância é
OC2=(21)2+32+32=41+9+9=41+36+36=473e é daí que sai o 473 que aparece em duas opções.
- (B) x2+y2+z2=473 — junta os dois enganos: centro na origem e r2=OC2=473. É a superfície esférica de centro em O que passa no ponto C; nada tem que ver com a da figura.
- (C) (x−21)2+(y−3)2+(z−3)2=473 — acerta no centro, mas troca o raio pela distância da origem ao centro. É o erro de quem calcula OC por reflexo, sem perguntar para que serve.
- (D) x2+y2+z2=9 — acerta no raio (r=3, logo r2=9), mas põe o centro na origem. Costuma vir de escrever a equação «tipo» sem substituir as coordenadas do centro.
onde é que este item se perde
- Confundir os planos coordenados. O plano xOy é z=0 (é o «chão»), o plano xOz é y=0. Quem troca os dois vai buscar a coordenada errada. Neste item os dois valores calham ser 3, por isso o engano não se paga — mas num exame em que o centro tenha coordenadas diferentes, paga-se todo.
- Usar OC como raio. A distância da origem ao centro não é raio nenhum: a origem não está sobre a superfície esférica, nem é ponto notável dela.
- Escrever r em vez de r2 no segundo membro.
- Sinais no primeiro membro. A equação leva (y−b), com menos. Se o centro tivesse ordenada negativa, ficaria (y+∣b∣) — aqui não acontece, mas é o sítio onde mais se erra em geral.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Sempre que leres «tangente a um plano coordenado», traduz imediatamente para «o raio é o módulo de uma coordenada do centro»: tangente a xOy ⇒ r=∣c∣ (cota); tangente a xOz ⇒ r=∣b∣ (ordenada); tangente a yOz ⇒ r=∣a∣ (abcissa). Com essa tradução feita, o item passa a ser só substituir na equação.