A definição que governa o item: uma sucessão (un) é monótona decrescente quando
un+1<unpara todo o n∈NA palavra todo é a chave: um único par de termos que suba já chega para destruir a monotonia. Por isso, para eliminar uma opção não precisas de estudar a sucessão inteira — basta um contraexemplo.
1.º — (A) n2−4n — dois termos chegam
Calcula os primeiros termos:
u1=12−4×1=−3,u2=22−4×2=−4,u3=32−4×3=−3De u1 para u2 desce, mas de u2 para u3 sobe (−4<−3 ). Como u3>u2 , a sucessão não é monótona, nem decrescente nem crescente.
Era de esperar: é uma parábola de concavidade voltada para cima com vértice em n=2 , logo desce até ao vértice e sobe daí em diante.
2.º — (B) 2n+3 — progressão aritmética de razão positiva
un+1−un=[2(n+1)+3]−[2n+3]=2>0A diferença entre termos consecutivos é constante e positiva: é uma progressão aritmética de razão 2 , portanto monótona crescente. Os seus termos são 5,7,9,11,…
3.º — (C) e (D) — progressões geométricas de termos positivos
As duas últimas opções são progressões geométricas de razão r e primeiro termo u1=r , ambos positivos. Com todos os termos positivos, o sentido da monotonia lê-se directamente no quociente:
unun+1=r- se r>1 , cada termo é maior do que o anterior ⇒ crescente;
- se 0<r<1 , cada termo é menor do que o anterior ⇒ decrescente.
(C) tem razão r=23>1 , logo é crescente: 23,49,827,…
(D) tem razão r=32 , com 0<32<1 , logo é decrescente: 32,94,278,… — os termos são sempre positivos e aproximam-se de zero.
a opção
A única sucessão monótona decrescente é a da opção (D).
de onde vem cada opção errada
- (A) n2−4n — apanha quem olha só para os dois primeiros termos (−3 e −4 ) e conclui «desce» sem verificar mais nenhum. É o erro clássico de generalizar a partir de um caso.
- (B) 2n+3 — apanha quem confunde razão negativa com coeficiente qualquer, ou quem vê o sinal de menos em lado nenhum e responde ao calhas. A razão é +2 : cresce.
- (C) (23)n — é o distrator mais forte. Apanha quem se lembra da regra «razão entre 0 e 1 ⇒ decrescente» mas inverte a fração, ou quem pensa que basta a base ser um número «pequeno». 23=1,5>1 : cresce, e depressa.
um segundo de bom senso
Escreve mentalmente os três primeiros termos da opção que escolheste e vê se descem mesmo: 32≈0,67 , 94≈0,44 , 278≈0,30 . Descem. Faz o mesmo com a (C): 1,5 , 2,25 , 3,375 . Sobem.
onde é que se perde este item
- Inverter a razão e trocar 23 com 32 — é exactamente a armadilha montada pelas opções (C) e (D), que são uma o inverso da outra.
- Concluir a monotonia a partir de dois termos , como em (A).
- Esquecer que a regra do quociente exige termos positivos. Se os termos alternassem de sinal, unun+1<1 não significaria decrescente. Aqui não há problema porque todos os termos são positivos, mas convém saberes porquê.
- Confundir «decrescente» com «convergente para zero» ou com «limitada». São propriedades diferentes; a (D) é as três, mas há sucessões decrescentes que não tendem para zero.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Para decidir monotonia tens três ferramentas, e escolhe-se pela forma do termo geral: diferença un+1−un (bom para polinómios e progressões aritméticas), quociente unun+1 (bom para progressões geométricas de termos positivos) e contraexemplo com os primeiros termos (o mais rápido para eliminar). Numa escolha múltipla, começa sempre pelo contraexemplo.