Exame de Matemática A 2025 · Época especial — item 1, resolvido
Cotação 12 pontosEscolha múltiplaFora do programa actualVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 635 · 2025 · Época especial
1.
Seja (un) uma sucessão tal que limun=0 .
Qual das expressões seguintes pode ser termo geral de (un) ?
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O item diz-te o destino e pergunta-te o caminho: de que sucessão é que os termos se aproximam de zero? Não precisas de calcular quatro limites completos — precisas de saber, para cada família de expressões, o que o limite faz. São três famílias aqui: uma fração de polinómios, duas potências de expoente n, e um polinómio do 1.º grau.
1.º — arrumar as famílias antes de calcular
Olha para as quatro opções e classifica-as:
(A) é um quociente de polinómios em n;
(B) e (C) são progressões geométricas, do tipo rn;
(D) é uma progressão aritmética, do tipo an+b.
Cada família tem uma regra própria. Reconhecê-la poupa-te metade do trabalho.
2.º — (D) — um polinómio de grau 1 nunca tende para zero
lim(2n+3)=+∞
Quando n cresce, 2n cresce com ele e o +3 não trava nada. Qualquer expressão an+b com a=0 diverge. Fica excluída.
3.º — (A) — o grau de cima é maior do que o de baixo
A regra para quocientes de polinómios em n compara os graus: grau de cima 2, grau de baixo 1. Com o grau de cima maior, o quociente diverge. Vê-o à mão, separando a fração:
O que manda é o módulo da razão, não o sinal: a potência tende para zero exactamente quando ∣r∣<1.
5.º — (B) — a razão tem módulo maior do que 1
Em (−2)n a razão é r=−2, com ∣r∣=2>1. Os termos são −2,4,−8,16,… — alternam de sinal e crescem em módulo. Não se aproximam de nada: o limite não existe. Fica excluída.
(C) — razão negativa, mas de módulo menor do que 1
Em (−21)n a razão é r=−21, e
−21=21<1
Como (−21)n=(21)n→0, a sucessão tem de tender para zero também. Os termos são −21,41,−81,161,… — alternam de sinal, mas encolhem, e é o encolher que manda.
lim(−21)n=0
A opção correcta é a (C).
de onde vem cada opção errada
(A)n2−n2 — apanha quem vê um n no denominador e conclui «logo tende para zero», sem comparar os graus. O denominador só ganha quando o grau de baixo é maior; aqui é menor e o limite é −∞.
(B)(−2)n — apanha quem lê a regra como «r<1» em vez de «∣r∣<1». De facto −2<1, mas ∣−2∣=2>1: os termos alternam a crescer, e nem sequer há limite.
(D)2n+3 — apanha quem confunde «razão pequena» de uma progressão aritmética com convergência. Numa aritmética o limite é sempre ±∞ (ou constante, se a=0), nunca zero por ser lenta.
onde se perdem os 12 pontos
É escolha múltipla: ou acertas e levas os 12, ou não levas nada — não há resposta parcial. As duas armadilhas que mais custam pontos aqui são confundir r<1 com ∣r∣<1 (leva-te ao (B)) e assumir que ter n no denominador chega para anular (leva-te ao (A)). Em ambos os casos a correcção é a mesma: escreve a regra por extenso antes de decidir.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Sempre que te derem quatro expressões e pedirem qual delas tem um dado limite, não calcules quatro limites — classifica quatro famílias. Quociente de polinómios → compara os graus. rn → compara ∣r∣ com 1. an+b → diverge sempre. Em três segundos ficas com uma opção só.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
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