«Assíntotas paralelas aos eixos coordenados» quer dizer duas famílias: as paralelas ao eixo Oy (verticais, x=a) e as paralelas ao eixo Ox (horizontais, y=b). Não te pedem oblíquas, e não tens de as procurar.
O domínio manda em tudo: Dg=]−∞,1[. Dele sai a lista de sítios a estudar, e essa lista é curta.
onde é que pode haver assíntota vertical
Uma assíntota vertical só pode existir onde a função deixa de estar definida, ou seja, num ponto que não pertence ao domínio mas está na sua fronteira, ou num ponto onde a função não é contínua. Ora:
g(x)=x−1f(x)é o quociente de duas funções contínuas em ]−∞,1[ (f é soma de um polinómio com a composta de ln com um polinómio) e o denominador nunca se anula nesse intervalo, porque x−1=0 só em x=1, que está fora do domínio. Logo g é contínua em todo o seu domínio e a única candidata a assíntota vertical é a reta x=1, o extremo direito.
Esta frase vale 1 ponto por si (a justificação da inexistência de outras) — escreve-a.
1.º — o limite em 1− — a etapa mais estruturada
Como 1 é o extremo direito do domínio, só há um lado a estudar: x→1−.
x→1−limg(x)=x→1−limx−12x+3+ln((1−x)3)Trata numerador e denominador separadamente — os critérios pontuam-nos separadamente.
Numerador. Quando x→1−, tem-se 1−x→0+, logo (1−x)3→0+ e
ln((1−x)3)→ln0+=−∞Como 2x+3→5 (finito), a soma vai para −∞:
x→1−lim(2x+3+ln((1−x)3))=5+(−∞)=−∞Denominador. Quando x→1−, tem-se x<1, logo x−1 aproxima-se de zero por valores negativos:
x→1−lim(x−1)=0−O 0− não é um detalhe de notação — é ele que decide o sinal do resultado.
Quociente. Um infinito negativo a dividir por zero negativo dá infinito positivo:
x→1−limg(x)=0−−∞=+∞Como este limite é infinito, a reta de equação x=1 é assíntota vertical ao gráfico de g, e é a única.
2.º — onde é que pode haver assíntota horizontal
Uma assíntota horizontal aparece quando x tende para um infinito que o domínio alcança. Como Dg=]−∞,1[, o domínio não vai até +∞: só há um ramo a estudar, x→−∞. Diz isto por escrito — quem estuda +∞ está a estudar um sítio onde a função não existe.
3.º — levantar a indeterminação por separação de parcelas
Substituindo directamente:
x→−∞limx−12x+3+ln((1−x)3)=−∞−∞+∞É uma indeterminação. A saída é partir a fração em duas, porque cada parcela sabe-se tratar sozinha:
x→−∞limx−12x+3+ln((1−x)3)=x→−∞limx−12x+3+x→−∞limx−1ln((1−x)3)Primeira parcela — quociente de polinómios do mesmo grau, o limite é o quociente dos coeficientes de maior grau:
x→−∞limx−12x+3=12=24.º — a segunda parcela pede uma mudança de variável
A parcela x−1ln((1−x)3) tem o logaritmo de uma expressão em −∞, e o limite notável que conheces é y→+∞limylny=0, escrito em +∞. A mudança de variável serve exactamente para pôr o limite nessa forma.
Faz y=1−x. Então:
- se x→−∞, tem-se y→+∞;
- e x−1=−(1−x)=−y.
x→−∞limx−1ln((1−x)3)=y→+∞lim−ylny3=y→+∞lim−y3lny=−3y→+∞limylny=−3×0=0O 3 sai de lny3=3lny e o sinal − vem do denominador −y. Tira as duas constantes para fora antes de aplicar o limite notável — é o que os critérios pontuam com 1 ponto à parte.
5.º — juntar as duas parcelas e concluir
x→−∞limg(x)=2+0=2Como este limite é finito, a reta de equação y=2 é assíntota horizontal ao gráfico de g, e é a única (só há um ramo infinito).
o que se escreve na resposta
Pede-se uma equação de cada assíntota. As respostas são x=1 e y=2 — equações de rectas, não valores de limites. Escrever «+∞» e «2» sem a frase de conclusão custa os dois pontos de conclusão.
onde se perdem pontos
- Não justificar a inexistência de outras assíntotas verticais. Vale 1 ponto e escreve-se numa linha: g é contínua em ]−∞,1[ e o denominador não se anula lá.
- Perder o 0−. Quem escreve x→1−lim(x−1)=0 sem sinal fica sem saber se o resultado é +∞ ou −∞. A conclusão de que há assíntota mantém-se, mas a etapa do sinal perde-se.
- Estudar x→+∞. Não existe: o domínio acaba em 1. Não dá pontos e mostra que não se leu o domínio.
- Aplicar o limite notável sem mudar de variável. x−1ln(1−x)3 com x→−∞ não é a forma ylny — falta o y→+∞. A mudança y=1−x vale 2 pontos.
- Esquecer o sinal na mudança de variável. x−1=−y, não y. Quem troca obtém +3×0 — dá o mesmo 0 por sorte, mas a etapa fica errada.
- Parar na indeterminação. Escrever −∞−∞+∞ e não separar a fração deixa 6 dos 7 pontos deste ramo em cima da mesa.
para reconhecer o próximo item deste tipo
Assíntotas começam sempre pelo domínio: ele diz-te quantos ramos infinitos há (aqui, um só) e quantos pontos de fronteira há (aqui, um só). Quando o numerador é uma soma com um logaritmo, a jogada é partir a fração em parcelas e tratar o logaritmo com uma mudança de variável que o leve a +∞, onde vive o limite notável y→+∞limylny=0. Esse limite notável ganha sempre ao polinómio: o logaritmo cresce devagar de mais para produzir assíntota.