O que governa este item são as leis de De Morgan e a regra do acontecimento contrário. O enunciado dá-te uma probabilidade de uma união de contrários e pede-te um número de alunos: o caminho é converter essa união numa intersecção, para poderes usar os dois números concretos que o contentor te deu (25 alunos do 12.º ano, dos quais 10 frequentam Matemática A).
nomear os acontecimentos e a incógnita
Seja n o número de alunos presentes na assembleia — é o que te pedem. Define
A:«O aluno frequenta Matemaˊtica A»B:«O aluno eˊ do 12.º ano»Nomear os acontecimentos antes de escrever probabilidades é o que te impede de te perder nas barras de contrário mais à frente.
1.º — escrever a hipótese em linguagem de probabilidades
«Não ser do 12.º ano ou não frequentar Matemática A» é a união dos dois contrários. Logo
P(A∪B)=119Esta tradução vale 3 pontos por si só — é a etapa mais cotada do item.
2.º — De Morgan: passar da união à intersecção
A união dos contrários é o contrário da intersecção:
A∪B=A∩B⇒P(A∪B)=P(A∩B)Porquê é que isto resolve o obstáculo: a união dos contrários não se liga a nenhum dos números do enunciado; a intersecção A∩B — «é do 12.º ano e frequenta Matemática A» — é exactamente o grupo dos 10 alunos que o contentor te deu. É esta passagem que torna o problema contável.
3.º — o acontecimento contrário
P(A∩B)=1−P(A∩B)Substituindo:
1−P(A∩B)=119⇔P(A∩B)=1−119=1124.º — a mesma probabilidade contada pela regra de Laplace
Como o aluno é escolhido ao acaso entre os n presentes, todos os casos são equiprováveis. Os casos favoráveis a A∩B são os 10 alunos do 12.º ano que frequentam Matemática A, e os casos possíveis são n:
P(A∩B)=n10Esta é a segunda etapa de 3 pontos. É aqui que a incógnita entra na conta — sem ela ficas com uma fracção sem ligação ao número pedido.
5.º — resolver em ordem a n
n10=112⇔2n=110⇔n=55Estão presentes na assembleia 55 alunos.
pelo 2.º processo do critério, com probabilidade condicionada
O critério admite um segundo caminho, que parte da informação «dos 25 do 12.º ano, 10 frequentam Matemática A» lida como condicionada:
P(A∣B)=2510Com P(A∪B)=119 chegas, pelos mesmos dois passos de De Morgan e do contrário, a P(A∩B)=112. Como P(B)=n25 e P(A∩B)=P(A∣B)×P(B), escreves
n25112=52⇔n=55Dá o mesmo valor, e o critério pontua os dois por igual. O 1.º processo é mais curto — usa-o se não tiveres razão para preferir o outro.
conferir com os números do enunciado
Com n=55: P(A∩B)=5510=112, logo P(A∩B)=1−112=119, que é exactamente a probabilidade dada. E 55>25, como tem de ser — na assembleia há alunos de vários anos, portanto o total tem de ser maior do que os 25 do 12.º ano.
onde é que este item se perde
– Trocar a lei de De Morgan: escrever A∪B=A∪B em vez de A∩B. A união dos contrários é o contrário da intersecção — a barra troca o sinal da operação.
– Ler «ou» como intersecção: o «ou» do enunciado é união, e é inclusivo.
– Esquecer o acontecimento contrário e usar directamente P(A∩B)=119: ficas com n menor do que 25, o que é impossível.
– Pôr 25 no numerador de P(A∩B): os 25 são só do 12.º ano; quem está em A∩B são os 10 que também frequentam Matemática A.
– Dividir por 25 em vez de por n: 2510 é P(A∣B), não P(A∩B) — o universo de P(A∩B) é a assembleia inteira.
– Não responder ao que foi pedido: o item pede o número de alunos, não uma probabilidade. A resposta final é 55.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Quando o enunciado te der a probabilidade de uma frase com «não … ou não …», aplica De Morgan de imediato: transforma-a no contrário de uma intersecção, e essa intersecção costuma ser precisamente o grupo que o enunciado já contou.