Este item não te dá um único número. Dá-te duas relações entre quantidades desconhecidas e pede uma probabilidade condicionada. O que o torna resolúvel é que a condicionada é um quociente, e todas as probabilidades vão ficar escritas em função de P(F) — que acaba por se cortar.
nomear os acontecimentos
F:«O aluno frequenta Filosofia»E:«O aluno frequenta Economia A»1.º — traduzir as duas condições do enunciado
Como o aluno é escolhido ao acaso, as proporções de alunos são probabilidades. A primeira condição — «Filosofia é o dobro de Economia A» — dá
P(F)=2P(E)⇔P(E)=21P(F)A segunda — «quem frequenta pelo menos uma é o triplo de quem frequenta as duas» — dá
P(F∪E)=3P(F∩E)Fixa a leitura: «pelo menos uma das duas» é a união; «as duas» é a intersecção.
2.º — identificar o que é pedido
«A probabilidade de não frequentar Economia A, sabendo-se que frequenta Filosofia» é uma condicionada, com a condição a seguir à barra:
P(E∣F)Esta identificação vale 2 pontos. Escreve-a antes de calcular o que quer que seja — é ela que te diz que o denominador vai ser P(F).
3.º — exprimir a intersecção em função de P(F)
Aplica a regra da probabilidade da união ao lado esquerdo da segunda condição:
P(F)+P(E)−P(F∩E)=3P(F∩E)Substitui P(E)=21P(F):
P(F)+21P(F)−P(F∩E)=3P(F∩E)23P(F)=4P(F∩E)⇔P(F∩E)=83P(F)Porquê é que isto resolve o obstáculo: não sabes quanto vale P(F), mas não precisas — a partir daqui tudo o que interessa está escrito como um múltiplo de P(F), e no quociente final essa incógnita desaparece.
4.º — a parte de Filosofia que não é de Economia A
O acontecimento F parte-se em duas fatias disjuntas: os que também frequentam Economia A e os que não. Logo
P(E∩F)=P(F)−P(E∩F)=P(F)−83P(F)=85P(F)5.º — a definição de probabilidade condicionada
P(E∣F)=P(F)P(E∩F)=P(F)85P(F)=85O P(F) corta — é por isso que o enunciado nunca precisou de te dar um número de alunos.
a forma pedida
O enunciado pede fração irredutível. Como mdc(5,8)=1, 85 já está irredutível. Não converter para decimal: 0,625 não é a forma pedida.
confere com números concretos
Toma P(F∩E)=3 alunos em cada x. Então P(F∪E)=9, e como P(F)=2P(E), escreve P(E)=k, P(F)=2k: 2k+k−3=9⇒k=4. Logo há 8 alunos em Filosofia, 4 em Economia A e 3 nas duas. Dos 8 de Filosofia, 8−3=5 não frequentam Economia A: 85. Bate.
onde é que este item se perde
– Trocar a ordem na condicionada: calcular P(F∣E) em vez de P(E∣F). O que vem depois do «sabendo-se que» é a condição, e vai para o denominador.
– Ler «pelo menos uma» como intersecção: é união. É o erro que estraga a segunda condição e, com ela, o item inteiro.
– Inverter o dobro: escrever P(E)=2P(F). «Filosofia é o dobro de Economia A» significa P(F)=2P(E).
– Tentar arranjar números de alunos e ficar bloqueado por o enunciado não os dar: trabalha em função de P(F); a incógnita corta-se no fim.
– Esquecer −P(F∩E) na regra da união: P(F∪E)=P(F)+P(E)−P(F∩E), porque quem frequenta as duas seria contado duas vezes.
– Não apresentar em fração irredutível, como o enunciado exige.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Quando um item de probabilidades só dá relações («é o dobro de», «é o triplo de») e nenhum valor absoluto, o pedido é quase de certeza uma condicionada — e a estratégia é exprimir tudo em função de uma só probabilidade, que se corta no quociente final.