Monotonia e extremos lêem-se sempre no sinal da derivada. O plano é fixo e tem quatro passos: derivar, igualar a zero, estudar o sinal num quadro, traduzir o quadro em palavras. Antes de tudo isso, guarda uma coisa do domínio: em ]−∞,1[ tem-se x<1, logo
1−x>0Este facto vai decidir o sinal de um denominador mais à frente — e é a razão por que este item não precisa de casos.
simplificar o logaritmo antes de derivar
No domínio, 1−x>0, e por isso podes usar a regra do logaritmo de uma potência:
ln((1−x)3)=3ln(1−x)Não é obrigatório, mas tira-te a regra da cadeia de cima de um cubo e evita metade dos erros de sinal.
1.º — derivar — etapa obrigatória, 3 pontos
Com a forma simplificada, e usando (lnu)′=uu′ com u=1−x, u′=−1:
f′(x)=(2x)′+(3)′+3(ln(1−x))′=2+0+3×1−x−1=2−1−x3Se preferires derivar sem simplificar, com u=(1−x)3 e u′=3(1−x)2×(−1):
f′(x)=2+(1−x)3−3(1−x)2=2−1−x3Dá o mesmo, como tinha de dar. Guarda o − do (1−x)′=−1: é aí que se perde o sinal.
2.º — igualar a zero e encontrar o candidato a extremo
f′(x)=0⟺2−1−x3=0⟺2=1−x3Como 1−x=0 em todo o domínio, podes multiplicar em cruz sem perder soluções:
2(1−x)=3⟺2−2x=3⟺−2x=1⟺x=−21E −21∈]−∞,1[, portanto é mesmo um ponto do domínio.
3.º — estudar o sinal — a etapa mais cotada, 5 pontos
Para ler o sinal de uma só vez, junta a expressão numa fração:
f′(x)=1−x2(1−x)−3=1−x2−2x−3=1−x−2x−1Agora o sinal sai de um raciocínio curto:
- denominador: 1−x>0 em todo o domínio (foi o que guardaste no início), logo o denominador nunca muda de sinal;
- numerador: −2x−1>0⟺x<−21.
Portanto o sinal de f′ é o sinal do numerador: positivo à esquerda de −21 e negativo à direita, dentro do domínio.
| x | −∞ | | −21 | | 1 |
|---|
| f′(x) | | + | 0 | − | n.d. |
| f(x) | | ↗ | máx. | ↘ | n.d. |
O quadro é uma etapa por si — desenha-o, mesmo que já saibas a resposta.
4.º — traduzir o quadro em palavras — é isto que é pedido
A função f é:
- crescente em ]−∞,−21];
- decrescente em [−21,1[;
- tem um máximo relativo em x=−21 (passa de crescente a decrescente).
responder exactamente ao que se pede
O enunciado pede os intervalos de monotonia e o valor de x onde há extremo — não pede o valor do extremo. Se quiseres escrevê-lo, é f(−21)=−1+3+3ln23=2+3ln23, mas isso não substitui o x=−21, que é o que vale o ponto.
Quanto aos extremos dos intervalos: a nota 2 dos critérios diz que tanto ]−∞,−21] como ]−∞,−21[ são aceites, e o mesmo para o segundo intervalo. O que não é opcional é o 1 ficar de fora — 1 não pertence ao domínio.
onde se perdem pontos
- Perder o sinal ao derivar o logaritmo. Quem escreve f′(x)=2+1−x3 obtém uma derivada sempre positiva, conclui «crescente em todo o domínio» e perde tudo o que vem depois. A nota 1 dos critérios só garante 1 ponto dos 3 a quem mostre a intenção de derivar.
- Não justificar o sinal do denominador. É tentador fazer o quadro com 1−x a mudar de sinal em x=1 — mas 1 não é ponto do domínio. Diz por escrito que 1−x>0 em ]−∞,1[.
- Escrever os intervalos até +∞. [−21,+∞[ está errado: o domínio acaba em 1. É o erro que mais se vê neste item.
- Saltar o quadro de sinal. Vale 5 dos 14 pontos, mais do que a derivada. Sem ele, escrever só a conclusão custa-te mais de um terço da cotação.
- Dizer «máximo =2+3ln23» sem dizer onde. O ponto final é pelo valor de x.
para reconhecer o próximo item deste tipo
«Estude quanto à monotonia e aos extremos» é sempre o mesmo guião: f′→f′=0→ quadro de sinal → conclusão, e os intervalos vivem dentro do domínio. Quando o domínio é limitado por uma restrição do logaritmo (aqui, 1−x>0), essa restrição costuma resolver-te o sinal de um factor inteiro — identifica-a antes de começar as contas e poupas um caso.