Este é um item de argumentos, não de módulos: nenhuma das quatro opções fala do módulo de w . Portanto não precisas de calcular ∣w∣ — precisas das regras que dizem como o argumento se comporta num produto, num quociente, numa potência e num conjugado.
as quatro regras que governam o item
Se z1 tem argumento α e z2 tem argumento β , então
arg(z1z2)=α+βarg(z2z1)=α−βarg(z1n)=nαE há a quarta, a que decide este item: o conjugado troca o sinal do argumento. Se w tem argumento θ , então w tem argumento −θ . Geometricamente é evidente — conjugar é reflectir no eixo real, e a reflexão troca o sentido do ângulo.
(Nota que estas igualdades valem a menos de 2kπ : um complexo tem infinitos argumentos. Por isso o enunciado pergunta por um argumento, e não pelo argumento principal.)
1.º — o argumento de i23
As potências de i repetem-se de quatro em quatro: i0=1 , i1=i , i2=−1 , i3=−i , e a partir daí recomeça. Para saber onde cai i23 , divide o expoente por 4 e fica-te com o resto:
23=4×5+3 ⇒ i23=i4×5×i3=1×i3=−iFalta o argumento de −i . É o imaginário puro com parte imaginária negativa, logo está sobre o semieixo imaginário negativo:
arg(i23)=arg(−i)=23π(ou, equivalentemente, −2π)Escolhe a forma 23π , porque é a que aparece nas opções e te poupa uma conversão no fim.
2.º — juntar tudo numa soma algébrica
arg(wi23×w2)=arg(i23)+arg(w2)−arg(w)=23π+2θ−(−θ)=3θ+23πO −(−θ) é o coração do item. Subtrai-se o argumento do denominador, e o argumento do denominador já é −θ : são duas trocas de sinal que se somam e dão +θ . É exactamente aqui que nascem quase todos os erros.
Resposta: opção (D).
experimenta com um θ concreto
Toma θ=32π , que está mesmo dentro de ]2π,π[ . Então arg(w2)=34π e arg(w)=−32π , e a conta dá
23π+34π+32π=23π+2πque é o mesmo argumento que 23π . A opção (D) devolve 3×32π+23π=2π+23π — bate. Já a (A) daria 32π+π=35π , que não é o mesmo ângulo. Dois minutos de conta com um valor concreto desempatam qualquer hesitação num item destes.
de onde vem cada opção errada
- (A) θ+π — junta os dois erros de uma vez: usa arg(i23)=π , por confundir i3=−i com −1 , e dá a w o argumento θ em vez de −θ , o que deixa 2θ−θ=θ .
- (B) θ+23π — acerta em arg(i23)=23π , mas esquece que o conjugado inverte o sinal do argumento: faz 2θ−θ=θ .
- (C) 3θ+π — trata bem o conjugado, 2θ−(−θ)=3θ , mas troca i3=−i por −1 e usa argumento π .
- (D) 3θ+23π — é a correcta: 23π de i23 mais 3θ vindo de 2θ−(−θ) .
Repara na simetria das três erradas: uma falha só no i23 , outra falha só no conjugado, a terceira falha nas duas. As opções foram desenhadas para separar exactamente estas duas competências.
onde é que este item come pontos
Em escolha múltipla ou acertas ou perdes os 12 pontos — não há crédito parcial, e é por isso que vale a pena gastar meio minuto a confirmar. Os descuidos que o item convida a cometer:
- i23=i. Ficar com o quociente da divisão por 4 em vez do resto, ou contar mal os ciclos.
- i3=−1. É i2 que vale −1 ; i3=i2×i=−i .
- arg(w)=θ. O conjugado reflecte no eixo real, logo o argumento muda de sinal.
- Somar em vez de subtrair o denominador. No quociente o argumento do denominador subtrai-se sempre, mesmo quando já é negativo.
- Deixar-se prender pela restrição θ∈]2π,π[ . Ela não entra em conta nenhuma deste item — só será precisa no 12.2., para escolher qual das três raízes é w . Aqui é ruído, e perder tempo a tentar usá-la atrasa-te.
para reconhecer o próximo exercício deste tipo
Quando as opções só mostram argumentos, ignora os módulos por completo e converte a expressão numa soma algébrica de ângulos: cada factor entra a somar, cada divisor a subtrair, cada expoente multiplica, e cada conjugado troca o sinal.
E trata sempre as potências de i pelo resto da divisão do expoente por 4 . Vale a pena ter os quatro casos no dedo: i0=1 (argumento 0), i1=i (2π), i2=−1 (π), i3=−i (23π).