Exame de Matemática A 2025 · 1.ª fase — item 1, resolvido
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 635 · 2025 · 1.ª fase
Qual é o limite da sucessão de termo geral un=(1+n1)3n ?
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O ponto de partida. Este item vive de um único limite notável, aquele que define o número e:
lim(1+n1)n=eRepara bem na forma dele: o mesmo n aparece em dois sítios — no denominador da fração e no expoente. Sempre que encontrares uma potência em que a base tende para 1 e o expoente tende para +∞, o teu trabalho é feitiar a expressão até ela ficar exatamente com esta forma.
1.º — identificar a indeterminação
Antes de mexer em nada, vê o que acontece se substituíres ingenuamente:
- a base: 1+n1→1+0=1 ;
- o expoente: 3n→+∞ .
Ou seja, estás perante a indeterminação 1∞ .
Isto não é um pormenor decorativo. É frequente o aluno raciocinar «um elevado a seja o que for dá um» e responder 1. Esse raciocínio é falso porque a base não é 1 — é um número ligeiramente maior do que 1, e está a ser multiplicado por si próprio um número de vezes que cresce sem limite. O produto entre «pouco maior do que um» e «infinitas vezes» pode dar qualquer coisa. Daí ser uma indeterminação.
2.º — arrumar o expoente
O obstáculo é o 3 que multiplica o n no expoente: na forma notável o expoente tem de ser n e só n. A ferramenta que resolve isto é a regra das potências
am×n=(am)n=(an)mAplicada ao termo geral, com o objetivo de deixar um n sozinho no expoente de dentro:
un=(1+n1)3n=[(1+n1)n]33.º — passar o limite para dentro
O expoente 3 é uma constante, e a função «elevar ao cubo» é contínua. Por isso o limite da potência é a potência do limite:
limun=lim[(1+n1)n]3=[lim(1+n1)n]3=e3Resposta: opção (C).
a fórmula geral
Vale a pena guardar a versão generalizada do limite notável, porque resolve estes itens quase de cabeça:
lim(1+nk)n=ekelim(1+n1)kn=ekCom k=3 na segunda igualdade, sai e3 de imediato. Usa este atalho depois de perceberes o processo do 2.º passo — é o mesmo cálculo, apenas já feito.
Verificação de bom senso
e3≈20,1 . Confere com um termo grande: para n=100 ,
u100=(1,01)300≈19,8que já está muito perto de 20,1 e ainda a subir. Nenhuma das outras opções anda por ali: e+3≈5,7 , 3e≈8,2 e 3e≈0,9 . Esta conta de controlo leva segundos na calculadora e despista três das quatro opções.
a origem de cada opção errada
- (A) e+3 — calculou lim(1+n1)n=e e depois somou o 3 que estava no expoente. Mas 3n é um produto, e um produto no expoente nunca se converte numa parcela no resultado.
- (B) 3e — tirou o 3 do expoente como se fosse um fator da expressão, ou seja, escreveu a3n=3×an. Um contra-exemplo chega: 23×2=64 e 3×22=12.
- (D) 3e — a mesma família de (B), com a operação invertida: «desfez» o 3 dividindo por ele. Se o 3 tivesse de sair, sairia como expoente de fora, e e3=3e.
As três opções erradas atacam o mesmo ponto — o que fazer ao 3 — em três direções diferentes. É o sinal de que o item não está a medir se sabes o limite notável: está a medir se sabes que amn=(an)m.
onde se perdem pontos
Item de escolha múltipla: é tudo ou nada. Os 12 pontos vêm inteiros ou não vêm — não há crédito parcial, e errar não desconta.
- Deixar em branco. Como não há penalização por errar, uma opção assinalada ao acaso vale, em média, 3 pontos, e o branco vale 0. Não existe situação nenhuma em que compense não responder.
- Responder 1, por «um elevado a tudo dá um». A base vale 1+n1>1 para todo o n, e nunca chega a valer 1. É por isso que 1∞ é indeterminação e não resultado — repara que 1 nem sequer consta das opções, portanto quem raciocina assim acaba a escolher a que lhe parecer mais próxima.
- Tirar o 3 do expoente para fora da potência. Somá-lo, multiplicá-lo ou dividir por ele dá, respectivamente, (A), (B) e (D): três das quatro opções nascem deste único engano. Um fator no expoente só pode sair como expoente de fora, a3n=(an)3.
- Assinalar duas opções por indecisão. Os critérios gerais são explícitos: se for apresentada mais do que uma resposta ao mesmo item, só é classificada a que surgir em primeiro lugar. Escrever a emenda a seguir não emenda nada.
- Dispensar a confirmação numérica. Neste item a calculadora é permitida — a proibição é dos itens 2.1. e 2.2. — e (1,01)300≈19,8 despista as quatro opções em segundos. É uma verificação grátis, e só se perde por não a fazer.
a regra a fixar
perante (1+n□)△ com base a tender para 1 e expoente para +∞, reescreve a expressão até teres (1+n1)n intacto dentro de parênteses; tudo o que sobrar vira expoente de fora e é esse expoente que vai parar ao e.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
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