Como x→0−limg(x)=x→0+limg(x)=g(0)=2, a função g é contínua em x=0.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O ponto de partida. A função g é definida por ramos, e x=0 é exatamente o ponto onde os dois ramos se encontram. É por isso que o item pede continuidade nesse ponto e não noutro: em qualquer outro ponto do domínio a função coincide, numa vizinhança, com uma única expressão conhecida (e contínua). No ponto de junção, à esquerda manda uma expressão e à direita manda outra — e nada garante que as duas cheguem ao mesmo valor.
A definição que governa o item é esta:
geˊ contıˊnua em x=0⟺x→0−limg(x)=x→0+limg(x)=g(0)
São três objetos a calcular e a comparar: os dois limites laterais e a imagem. Escrever esta igualdade logo no início vale pontos por si — é a primeira etapa dos critérios.
1.º — a imagem g(0)
Qual dos ramos se aplica em x=0 ? O segundo, porque a condição dele é 0≤x≤π e o sinal ≤inclui o zero. Então:
g(0)=2sen2(0)−3×0+2=2×0−0+2=2
2.º — o limite à direita
Quando x→0+ , os valores de x são positivos, logo estão no intervalo 0≤x≤π : aplica-se o segundo ramo.
x→0+limg(x)=x→0+lim(2sen2x−3x+2)
Esta expressão é soma e produto de funções contínuas em R (seno, polinómios), portanto o limite calcula-se por substituição direta — não há indeterminação nenhuma:
x→0+limg(x)=2×02−3×0+2=2
3.º — o limite à esquerda
Quando x→0− , os valores de x são negativos, logo aplica-se o primeiro ramo:
x→0−limg(x)=x→0−lim1−1−xsenx
Substituindo ingenuamente: sen0=0 no numerador e 1−1−0=1−1=0 no denominador. Obtém-se a indeterminação 00 .
Escreve isto na prova. Assinalar a indeterminação não é retórica: é o que justifica todas as manipulações que vêm a seguir. Quem passa directamente à multiplicação pelo conjugado sem dizer porquê está a fazer contas sem motivo aparente.
Qual é o obstáculo? A raiz quadrada no denominador. E a técnica que elimina uma raiz numa diferença é multiplicar por aquilo a que se chama o conjugado — a mesma diferença com o sinal do meio trocado. A razão é a identidade
(a−b)(a+b)=a2−b2
Ao elevar ao quadrado, a raiz desaparece. Aqui a=1 e b=1−x , logo o conjugado de 1−1−x é 1+1−x . Multiplica-se o numerador e o denominador por ele (multiplicar por 1+1−x1+1−x é multiplicar por 1 , portanto não altera a expressão):
Esta separação só é legítima porque os dois limites existem e são finitos — se um deles fosse infinito, partir o produto podia gerar uma nova indeterminação. Nos critérios, este passo vale 2 pontos por si.
o primeiro fator vale 1 (limite notável; vale também no limite lateral, porque o limite existe dos dois lados);
o segundo calcula-se por substituição: 1+1−0=1+1=2 .
x→0−limg(x)=1×2=2
5.º — comparar e concluir
x→0−limg(x)=2x→0+limg(x)=2g(0)=2
Como os dois limites laterais existem, são iguais entre si e iguais a g(0) , conclui-se que a função g é contínua em x=0 . ■
A frase final não é decoração: os critérios pagam 1 ponto pela conclusão explícita. Uma prova que termina em «=2» e nada mais perde esse ponto.
onde se perdem pontos
Não escrever a condição de continuidade logo no início. É uma etapa própria de 2 pontos e não exige cálculo nenhum — só a igualdade entre os dois limites laterais eg(0). Quem entrega os dois limites e conclui por eles serem iguais provou que existe x→0limg(x), que é coisa diferente de continuidade.
Deixar cair g(0)=2 e a frase final. São 1+1=2 pontos em duas linhas sem uma única conta. Com a etapa anterior, são 4 dos 14 que se ganham apenas por escrever o que já se sabe.
Levantar a indeterminação pela regra de L'Hôpital. A Nota 1 dos critérios gerais é taxativa: não são aceites processos que apliquem a regra de Cauchy ou a regra de L'Hôpital. Com a conta certa até ao fim, a fatia de 8 pontos do limite à esquerda vai a zero na mesma.
Recorrer à calculadora. O enunciado do grupo proíbe-a em 2.1. e 2.2., e a situação 2 dos critérios gerais manda pontuar com zero a etapa em que a instrução não é respeitada e todas as que dela dependam. Uma tabela de valores a convergir para 2 não é um limite calculado.
Invocar o limite notável com o fator (1+1−x) ainda colado. Separar o quociente no produto limxsenx×lim(1+1−x) é etapa autónoma de 2 pontos. Saltar dela para =1×2 só é pontuado se o que ficar escrito não deixar dúvida de que foi percorrida — e raramente não deixa.
Multiplicar pelo conjugado só no denominador. Aí a expressão muda de valor e a igualdade deixa de ser verdadeira. Tem de ser em cima e em baixo, porque é isso que faz do conjugado uma multiplicação por 1.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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