Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Mostra só o que se escreve na prova. A resolução explicada fica fechada — abres depois, se quiseres.
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O ponto de partida. A área de um trapézio é
A=2B+b×h
onde B e b são os comprimentos dos dois lados paralelos (as bases) e h é a distância entre eles (a altura). Todo o item é identificar quem é quem na figura — e depois calcular três comprimentos.
A função é f(x)=3ex−2e−x, de domínio R, e o trapézio é [OCAB] com:
O a origem;
B no gráfico de fe no eixo Oy;
A no gráfico de fe na recta y=5;
C no eixo Ox, com a mesma abcissa de A.
1.º — identificar as bases e a altura
O lado [OB] está sobre o eixo Oy, ou seja, é vertical. O lado [CA] une um ponto do eixo Ox a um ponto com a mesma abcissa — também é vertical. Dois segmentos verticais são paralelos: são estas as bases.
O lado [OC] está sobre o eixo Ox, é perpendicular às duas bases, e por isso mede exactamente a distância entre elas: é a altura.
A[OCAB]=2OB+AC×OC
Escrever esta fórmula com os segmentos certos vale 2 pontos, antes de qualquer conta. Escreve-a primeiro, mesmo que ainda não saibas nenhum dos três valores.
2.º — AC, que se lê directamente
A pertence à recta y=5, logo tem ordenada 5. C pertence ao eixo Ox, logo tem ordenada 0. Como têm a mesma abcissa, o segmento [AC] é vertical e o seu comprimento é a diferença das ordenadas:
AC=5−0=5
3.º — OB, que é o valor de f na origem
B está no eixo Oy, portanto tem abcissa 0; e está no gráfico de f, portanto a sua ordenada é f(0). Ou seja, B=(0,f(0)) e o comprimento de [OB] é esse mesmo valor:
OB=f(0)=3e0−2e−0=3×1−2×1=1
(Recorda: e0=1 e e−0=e0=1.) Como f(0)=1>0, o ponto está acima da origem e o comprimento é mesmo 1 — não há sinais a corrigir.
4.º — OC: é aqui que está a equação
C está no eixo Ox e tem a abcissa de A. Logo OC é a abcissa do ponto A, e A é o ponto onde o gráfico de f encontra a recta y=5. Para o descobrir resolve-se:
3ex−2e−x=5
O obstáculo é o expoente negativo: tens ex e e−x na mesma equação e não podes juntá-los. A técnica que os uniformiza é multiplicar ambos os membros por ex, porque e−x×ex=e0=1 faz desaparecer o expoente negativo. E podes fazê-lo sem cuidados especiais: ex>0 para todo o x, nunca é zero, logo a equação obtida é equivalente à original.
3ex×ex−2e−x×ex=5ex⟺3e2x−2=5ex
Passando tudo para o mesmo membro:
3e2x−5ex−2=0
5.º — a substituição que revela a equação do 2.º grau
Repara que e2x=(ex)2. Com t=ex (e portanto t>0), a equação fica:
A rejeição da raiz negativa é obrigatória e tem de ser escrita. Como t=ex e uma exponencial é sempre positiva, t=−31 é impossível. Fica
ex=2⟺x=ln2
(Aplica-se logaritmo natural a ambos os membros; ln(ex)=x porque ln e ex são funções inversas uma da outra.)
Logo OC=ln2. Faz sentido: ln2≈0,69>0, portanto C está à direita da origem, tal como na figura.
6.º — a área, na forma pedida
A[OCAB]=21+5×ln2=26×ln2=3ln2
O enunciado exige o resultado na forma ln(a), com a>0 — ou seja, um único logaritmo, sem nada multiplicado por fora. A propriedade que faz entrar o 3 para dentro é nlnb=ln(bn):
3ln2=ln(23)=ln8A aˊrea do trapeˊzio eˊln8
Parar em 3ln2 deixa por cumprir a forma pedida, e é a última etapa do item — a que vale 3 pontos.
Verificação de bom senso
ln8≈2,08. Confere com a geometria: um trapézio de bases 1 e 5 e altura ln2≈0,69 tem área ≈3×0,69≈2,08. E 2,08 está entre a área do rectângulo pequeno (1×0,69≈0,69) e a do rectângulo grande (5×0,69≈3,45), como tem de estar.
onde se perdem pontos
Não escrever a fórmula 2OB+AC×OC antes das contas. É a etapa mais cotada da primeira metade do item (2 pontos) e é a única que se ganha sem saber um único dos três comprimentos. Quem salta directo para a equação f(x)=5 deixa-a para trás e raramente volta a escrevê-la.
Tratar AC=5, OB=f(0) e OC= abcissa de A como evidências que não se escrevem. O critério pontua cada uma em separado, a 1 ponto, e mais 1 pelo cálculo de f(0). São 4 dos 14 em quatro linhas de leitura da figura; quem só as pensa fica dependente de o classificador perceber inequivocamente que a etapa foi percorrida — e, se não perceber, ela vale zero.
Continuar com t=−31, ou eliminá-la sem dizer porquê. Aceitar uma exponencial negativa é um erro de desconhecimento de propriedades, e nesses casos a pontuação máxima da etapa passa a ser a parte inteira de metade — a etapa do x=ln2 cai de 2 para 1. A frase "como ex>0" custa cinco palavras e vale um ponto.
Ir buscar x≈0,69 à calculadora. O enunciado diz sem recorrer à calculadora, e a regra geral para instruções desrespeitadas é seca: a etapa em causa e todas as que dela dependam são pontuadas com zero. Aqui isso é o x=ln2 (2 pontos) mais o valor pedido (3 pontos) — 5 pontos por uma tecla.
Parar em 3ln2. O resultado está certo e continua a não ser o que foi pedido: a forma ln(a) é parte da etapa final, que é a mais cara do item (3 pontos). Um resultado final que não respeita a forma solicitada desvaloriza essa etapa, e faltar-lhe a passagem final desvaloriza-a de novo — 3ln2=ln8 é uma linha que vale mais do que toda a fórmula resolvente.
Primeiro, a resposta de exame.
A resolução explicada abre-se depois, à parte, se quiseres perceber o porquê.
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