Como este item é corrigido. Não há crédito parcial por espaço isolado: os 12 pontos são atribuídos por níveis de desempenho, contando quantos dos quatro espaços estão certos — 12 pontos no nível 3, 8 no nível 2 e 4 no nível 1. Consequência prática: cada espaço que acertas a mais faz-te subir de escalão, e por isso vale sempre a pena responder a todos, mesmo aos que não dominas. Não há penalização por errar; há, isso sim, perda garantida por deixar em branco.
A calculadora é permitida neste item, e é aqui que ela faz toda a diferença: mete as duas colunas em duas listas uma única vez e as quatro respostas saem do mesmo menu de estatística.
Preparação — os dados na calculadora
Insere a coluna do diâmetro biparietal na lista L1 e a do perímetro cefálico na lista L2 , pela ordem em que aparecem na tabela e sem trocar pares. Cada linha da tabela é um recém-nascido: se desalinhares uma linha, os espaços I e II ainda saem certos (dependem de cada coluna isoladamente) mas III e IV saem errados, porque esses medem a relação entre as duas colunas.
Espaço I — mediana menos média dos diâmetros
A média é a soma a dividir pelo número de dados:
x=87,49+7,81+8,21+8,30+8,66+8,76+9,04+9,24=867,51=8,43875≈8,44A mediana é o valor que divide a amostra ordenada ao meio. Os dados já vêm por ordem crescente (confirma sempre — é a primeira coisa a fazer). Como são 8 dados, um número par, não há elemento central único: a mediana é a média dos dois valores centrais, que ocupam as posições 4 e 5 :
x~=28,30+8,66=216,96=8,48O enunciado diz «excede a respetiva média, arredondada às centésimas», ou seja usa-se 8,44 :
8,48−8,44=0,04Espaço I → opção a) , 0,04 .
A origem das outras duas: b) 0,7 é a amplitude interquartil dos diâmetros — Q3−Q1=28,66+8,76−27,81+8,21=8,71−8,01=0,70 —, isto é, a resposta de quem carregou na medida errada do menu. c) 1,75 é a amplitude total dos diâmetros, 9,24−7,49 , que é a resposta ao espaço II aplicada à coluna errada.
Espaço II — amplitude dos perímetros cefálicos
Amplitude de uma amostra = máximo − mínimo. Nada mais; não é preciso ordenar, apenas encontrar os dois extremos.
⚠️ Atenção à coluna dos perímetros: ela não está por ordem crescente. Repara na sequência … 35,51 ; 34,86 ; 35,30 ; 37,63 — há um recuo a meio. Isto é intencional. Quem assume que a última linha é o máximo tem sorte (é mesmo 37,63), mas quem assume que a penúltima é o segundo maior engana-se. Para a amplitude, o que interessa é o maior e o menor de toda a coluna:
amplitude=37,63−30,36=7,27Espaço II → opção c) , 7,27 cm.
A origem das outras duas: a) 2,58 é a amplitude interquartil dos perímetros — e para a calcular é preciso ordenar a coluna, 30,36; 31,99; 33,66; 34,86; 35,26; 35,30; 35,51; 37,63 , donde Q1=231,99+33,66=32,825 e Q3=235,30+35,51=35,405 , logo 35,405−32,825=2,58 . É a confusão entre «amplitude» e «amplitude interquartil». b) 3,64 é metade da amplitude, 27,27=3,635 — o engano de quem divide por dois, talvez por contaminação com a ideia de «desvio em torno do centro».
Fixa a diferença: amplitude mede o espalhamento total (usa só os dois extremos e é muito sensível a valores discrepantes); amplitude interquartil mede o espalhamento dos 50% centrais (ignora as pontas). São medidas diferentes, com nomes parecidos — e o exame explora isso em quase todos os anos.
Espaço III — coeficiente de correlação linear
Na calculadora, com as duas listas inseridas, corre-se a regressão linear (o menu costuma chamar-se «LinReg(ax+b)» ou «Regressão linear», e em algumas máquinas é preciso ligar o «Diagnostic» para que o r apareça). Obtém-se:
r≈0,9354≈0,94Espaço III → opção b) , 0,94 .
A eliminação é imediata, e faz-se sem calculadora nenhuma. O coeficiente de correlação linear satisfaz sempre
−1≤r≤1Logo a opção c) 3,54 está fora do intervalo teórico e é impossível: é o valor do declive da reta de regressão (≈3,536), que se lê no mesmo ecrã da calculadora, uma linha acima do r . Trocar uma pela outra é o erro clássico deste item.
A opção a) 0,87 é o coeficiente de determinação r2≈0,8750 , que muitas calculadoras mostram mesmo por baixo do r . Guarda a distinção: r mede a força e o sentido da relação linear (pode ser negativo); r2 mede a proporção da variação de y explicada pelo modelo (está sempre entre 0 e 1) e não diz o sentido.
Bom senso a confirmar: olhando para a tabela, quando x cresce o y também cresce, quase sempre. Espera-se um r positivo e próximo de 1 — o que exclui de imediato qualquer opção negativa ou pequena, e confirma 0,94 como a mais plausível das duas candidatas restantes (é a mais alta, e os dados são de facto muito alinhados).
Espaço IV — estimativa pelo modelo de regressão
O modelo de regressão linear de y em função de x é a reta
y=ax+bcujos parâmetros a calculadora devolve na mesma operação do espaço anterior. Com arredondamento às milésimas, como o enunciado manda:
a≈3,536b≈4,480Ou seja, a reta de regressão é y=3,536x+4,480 . Estimar o perímetro cefálico para um diâmetro biparietal de 8,50 cm é calcular a ordenada do ponto da reta de abcissa 8,50 :
y=3,536×8,50+4,480=30,056+4,480=34,536≈34,54Espaço IV → opção a) , 34,54 cm.
A origem dos outros: c) 41,62 é o que sai de trocar o declive com a ordenada na origem — 4,480×8,50+3,536=41,62 . É o engano de quem copia os dois números do ecrã sem reparar em qual é o a e qual é o b (e há calculadoras que os apresentam por ordem inversa). b) 36,11 é um valor de aparência inofensiva mas que não resulta de nenhuma conta legítima com estes dados — está lá para apanhar quem responde «por parecer razoável».
Verificação de bom senso (esta salva o item). x=8,50 está apenas um pouco acima da média dos diâmetros (8,44). A reta de regressão passa sempre pelo ponto (x,y)=(8,44 ; 34,32) — é uma propriedade dela. Portanto a estimativa tem de sair muito perto de 34,32 , ligeiramente acima. 34,54 está; 36,11 é maior do que sete dos oito perímetros observados; 41,62 ultrapassa o máximo da amostra em mais de 4 cm, para um bebé de tamanho mediano. Ambos são absurdos face aos dados da tabela.
Resposta a entregar
O enunciado exige que escrevas apenas o número do espaço seguido da opção:
- I → a)
- II → c)
- III → b)
- IV → a)
a origem de cada opção errada
- Espaço I, opção b) — 0,7. É a amplitude interquartil dos diâmetros, não a diferença entre mediana e média: Q3−Q1=28,66+8,76−27,81+8,21=8,71−8,01=0,70. Quem escolhe esta carregou na linha errada do menu de estatística — o ecrã dá-te Q1 e Q3 ao lado da mediana.
- Espaço I, opção c) — 1,75. É a amplitude total dos diâmetros, 9,24−7,49=1,75: a conta do espaço II feita na coluna do x em vez da do y. Repara no que aconteceu — trocaste de coluna e de pergunta ao mesmo tempo, e o valor existe mesmo na tabela, por isso não dá sinal de alarme.
- Espaço II, opção a) — 2,58. É a amplitude interquartil dos perímetros: ordenando a coluna do y, Q1=231,99+33,66=32,825 e Q3=235,30+35,51=35,405, donde 35,405−32,825=2,58. É o mesmo engano do espaço I, aplicado à outra coluna: amplitude usa só os dois extremos; amplitude interquartil mede os 50% centrais.
- Espaço II, opção b) — 3,64. É metade da amplitude: 237,63−30,36=27,27=3,635≈3,64. Nasce da ideia de «desvio em torno do centro» — dividir por dois faz sentido num raio, nenhum numa amplitude.
- Espaço III, opção a) — 0,87. É o coeficiente de determinação, r2≈0,8750, que quase todas as calculadoras imprimem na linha imediatamente abaixo do r. Os dois números vivem colados no mesmo ecrã, e este é o que está mais perto do dedo.
- Espaço III, opção c) — 3,54. É o declive da reta de regressão, a≈3,536, lido uma linha acima do r no mesmo ecrã. Esta elimina-se sem calculadora nenhuma: −1≤r≤1 sempre, e 3,54 está fora do intervalo.
- Espaço IV, opção c) — 41,62. É o que sai de trocar o declive com a ordenada na origem: 4,480×8,50+3,536=41,616≈41,62. O engano é de leitura, não de método — há calculadoras que mostram b antes de a, e quem copia os dois números por ordem de aparição inverte o papel de cada um.
- Espaço IV, opção b) — 36,11. Esta não tem conta exacta que lá chegue: não é a média dos perímetros (34,32), nem yˉ somado ao desvio padrão (36,44 com o da população, 36,59 com o da amostra), nem qualquer combinação dos parâmetros da reta. É o valor plausível — fica dentro da gama dos perímetros observados — posto lá para apanhar quem responde pela aparência em vez de substituir x=8,50 na reta.
onde se perdem pontos
- Deixar espaços por preencher. Este item não dá crédito por espaço: os 12 pontos vêm por níveis — 12 com os quatro certos, 8 com três, 4 com dois. Abaixo de dois acertos não há nível nenhum, e a resposta vale zero. Não há desconto por errar, portanto um espaço arriscado é lucro puro e um espaço em branco é perda garantida.
- Escrever duas opções para o mesmo espaço. «A cada espaço corresponde uma só opção», e a regra geral classifica apenas a resposta que aparece em primeiro lugar. Hesitar por escrito não protege — escolhe uma.
- Confundir amplitude com amplitude interquartil. Dois dos distratores (0,7 no espaço I e 2,58 no espaço II) nascem só desta troca. Amplitude = máximo − mínimo, e mais nada; a interquartil é Q3−Q1 e mede outra coisa.
- Copiar do ecrã da calculadora o número errado no espaço III. O declive (≈3,536) e o coeficiente de determinação (r2≈0,875) aparecem coladas ao r . O filtro é imediato e não precisa de máquina: r está sempre entre −1 e 1 , o que elimina 3,54 à vista.
- Trocar a com b na reta de regressão. O declive multiplica o x , a ordenada na origem soma-se. A troca dá exactamente 41,62 , que é a opção c) do espaço IV — está lá à espera de quem copia os dois parâmetros sem olhar a qual é qual.
- Arredondar fora do que é pedido. São milésimas para os parâmetros da reta e centésimas para as medidas. Arredondar o declive às décimas antes de multiplicar por 8,50 desloca o resultado o suficiente para cair noutra opção — e num item por níveis isso custa um escalão inteiro, 4 pontos.