Exame de Matemática A 2025 · 1.ª fase — item 10.1, resolvido
Cotação 12 pontosEscolha múltiplaVerificado
Enunciado
Instituto de Avaliação Educativa · prova 635 · 2025 · 1.ª fase
10.
Na Figura 3, está representado, em referencial o.n. Oxyz, o prisma triangular [ABCDEF].
Figura 3
Sabe-se que:
os pontos A e B têm coordenadas (4,2,0) e (2,3,−3), respetivamente;
o ponto C pertence ao plano mediador do segmento de reta [AB];
a reta DF é definida pela equação vetorial (x,y,z)=(−7,4,2)+k(1,1,−5), k∈R.
10.1.
Qual das equações seguintes define uma reta perpendicular à reta DF e que passa no ponto A ?
Resolução explicada
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
O ponto de partida. Uma equação vetorial de reta, (x,y,z)=P+kv, guarda duas informações independentes: o ponto P por onde a reta passa (o ponto de apoio) e o vetor v, que dá a direção.
O item impõe uma condição a cada uma delas:
ser perpendicular à reta DF — é uma condição sobre o vetor diretor;
passar no ponto A — é uma condição sobre os pontos da reta.
Duas condições, quatro opções. A estratégia é eliminar por etapas, começando pela condição mais rápida de testar — que aqui é a perpendicularidade, porque se resolve com um produto escalar de cabeça.
1.º — recolher os dados
Do enunciado comum do grupo: A(4,2,0), e a reta DF é definida por (x,y,z)=(−7,4,2)+k(1,1,−5). Logo um vetor diretor de DF é
d=(1,1,−5)
O ponto (−7,4,2) não serve para nada neste item: perpendicularidade é só uma questão de direção, nunca de posição. (No espaço, duas retas podem ter direções perpendiculares sem sequer se cruzarem; as opções resolvem-se do mesmo modo.)
2.º — testar a perpendicularidade
Dois vetores não nulos são perpendiculares se, e só se, o seu produto escalar for zero. Em coordenadas, o produto escalar é a soma dos produtos das coordenadas homólogas.
As opções (A) e (C) partilham o vetor diretor (5,0,−1):
(1,1,−5)⋅(5,0,−1)=1×5+1×0+(−5)×(−1)=5+0+5=10=0
Não são perpendiculares a DF — caem as duas.
As opções (B) e (D) partilham o vetor diretor (0,5,1):
(1,1,−5)⋅(0,5,1)=1×0+1×5+(−5)×1=0+5−5=0
São perpendiculares a DF — (B) e (D) sobrevivem, e falta desempatá-las.
3.º — testar a passagem no ponto A
Um ponto pertence à reta se existir um valor de k que produza as três coordenadas ao mesmo tempo. Substitui A(4,2,0) e resolve o sistema.
As duas últimas equações exigem valores diferentes de k, logo o sistema é impossível: A não pertence à reta da opção (D).
Resposta: opção (B).
De onde vem cada opção errada
A estrutura das quatro opções não é casual: são duas direções, cada uma apresentada com dois pontos de apoio diferentes.
(A) — tem o vetor diretor errado, mas passa mesmo no ponto A: com k=1, (−1,2,1)+1×(5,0,−1)=(4,2,0). É a armadilha montada para quem testa só a passagem em A e dá o item por resolvido.
(C) — tem o mesmo vetor diretor errado e também não passa em A: da primeira coordenada, 4=−6+5k⇒k=2; mas com k=2 vem z=−2−2=−4=0. Falha as duas condições.
(D) — tem a direção certa mas o ponto de apoio errado. É a armadilha simétrica da (A): apanha quem faz o produto escalar, vê que dá zero e se esquece de confirmar o ponto.
E vale a pena perceber porque é que (5,0,−1) é tentadora: quem calcula (−5)×(−1) e escreve −5 — esquecendo que o produto de dois negativos é positivo — obtém 5+0−5=0 e conclui, erradamente, que há perpendicularidade. Duas das quatro opções vivem desse único sinal.
onde se perdem pontos
Parar na primeira condição que bate certo. O item pede duas coisas ao mesmo tempo: direção perpendicular a DFe passagem em A. Duas opções cumprem a primeira e duas cumprem a segunda; só uma cumpre as duas. Quem valida uma condição e responde está a escolher entre duas opções com uma moeda ao ar, e sem crédito parcial isso são 12 pontos ou 0.
Errar o sinal em (−5)×(−1). Menos vezes menos dá mais: (1,1,−5)⋅(5,0,−1)=5+0+5=10, e não 0. Este único sinal separa a direção certa da errada.
Confundir perpendicularidade com paralelismo. Aqui procura-se produto escalar igual a zero, não coordenadas proporcionais. São dois testes diferentes, e quem procura um diretor proporcional a (1,1,−5) não encontra opção nenhuma.
Dar o ponto por verificado porque uma coordenada bate. As três equações do sistema têm de dar o mesmok. Na opção (D) a primeira dá 4=4, que é verdadeiro para qualquer k, e mesmo assim A não pertence à reta — as outras duas exigem k=−56 e k=2.
Exigir que o ponto escrito na equação seja A. A opção certa tem ponto de apoio (4,−3,−1), que não é A, e continua a ser a certa porque Apertence à reta (com k=1). Uma reta tem infinitos pontos de apoio; descartar opções por esse critério elimina a resposta correcta.
Ir buscar o ponto (−7,4,2) da reta DF. Dessa equação só interessa o vetor diretor: a perpendicularidade é uma questão de direção, nunca de posição. No espaço, duas retas podem ter direções perpendiculares sem sequer se cruzarem.
Tenta primeiro no papel.
Quem lê a resolução antes de tentar acha que percebeu — e volta a errar no exame.
Passo a passo, com o porquê de cada passo.
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✓O que erras volta sozinho, no dia em que ias esquecer